quarta-feira, 14 de julho de 2010

O ABORTO - Resultado de algo que nunca foi debatido

Ao tratar um tema ainda tão controverso, meu propósito é contribuir para uma mais profunda reflexão, tentando fazer a abordagem que até agora não vi que fosse feita, como sugiro com o próprio subtítulo.

Sempre que está em causa a necessidade de encontrar uma solução para um grave problema, as medidas a adoptar são tão mais eficazes quanto mais inteligentes, razoáveis e profundas elas forem. Evocando como exemplo o trabalho de um agricultor que se debate com a praga das ervas daninhas, no caso das gramíneas, só conseguirá erradicá-las se se empenhar num paciente trabalho de cavar palmo a palmo toda a terra até à profundidade que lhe garanta não haver a mais pequena ponta de raiz. Só por meio dessa aturada, profunda e radical intervenção, consegue eliminar definitivamente o problema. Dessa forma e com esse propósito, tratarei neste trabalho das questões mais profundas que o tema encerra, crendo que só assim darei algum contributo para a remoção da confusão moral, intelectual e ideológica que nos sufoca.

Começando pela sua definição, o aborto é a morte de uma criança no ventre materno, feito no espaço de tempo que vai desde a concepção até ao momento prévio do nascimento.

Para toda a comunidade científica mundial, ou numa palavra, para a ciência, a vida tem o seu início no momento da concepção, não sendo menos vida no primeiro dia do que ao nono mês, ou aos oitenta anos, pelo que, um aborto é Sempre o acto de matar uma criança.

É certo que muitos dos abortos se devem a actos de desespero emocional, a uma rejeição das causas que deram origem à gravidez, à vergonha, etc., mas nenhuma razão é válida para matar uma criança, nem uma difícil situação económica, quando nas instituições públicas e particulares, nos vizinhos e familiares, se vai encontrando o necessário apoio para que essa criança possa crescer, tendo o direito de ser um como nós, quem sabe até, que pessoa não poderá vir a ser.

Segundo as várias razões evocadas pelos defensores do aborto, eis cinco casos reais que não deixariam dúvidas, como a eles, até a muitos outros que se dizem a favor da vida mas que seriam capazes de dizer sim ao aborto nas seguintes situações:

1. Um casal já teve quatro filhos, tendo morrido o terceiro. O primeiro é cego, o segundo é surdo e o quarto tem tuberculose. O pai é alcoólico e asmático, a mãe também tem tuberculose e está novamente grávida. Trata-se, portanto, de um caso problemático.

2. Um homem branco viola uma menina negra de treze anos e esta ficou grávida. Outro caso sério. Primeiro por que é uma violação, segundo, trata-se de uma criança, depois ainda o peso da questão racial… motivos mais do que suficientes.

3. Uma senhora está só, com os seus dois filhos, porque seu esposo está fora, na frente de combate de uma guerra devastadora. Seus filhos não são saudáveis, como ela também não é, restando-lhe pouco tempo de vida. Sozinha e sem meios, vê-se grávida de novo…

4. Uma família bastante pobre, já tinha doze filhos, tendo acontecido uma décima terceira gravidez. Tão pobres e com tantos filhos, o aborto mais do que se justificava…

5. Uma jovenzinha, apesar da idade, já está comprometida; está grávida, mas seu noivo não é o pai do bebé, e sabe-se que vai reagir mal quando souber da situação…

Aqueles que buscam uma sexualidade sem compromissos, foram quem esteve na linha da frente a favor do aborto. E travaram um combate tão eficaz, que levaram muitos a alinharem nas suas fileiras, ainda que isso se tenha traduzido “apenas” no momento do voto, ao terem conseguido, com muita astúcia, tocar a sensibilidade dos bons ao aludirem a situações ou casos semelhantes a estes cinco aqui expostos.

Eis agora o resultado daquilo que poderia ter sido um aborto, se tivesse dependido da opinião de muitos de nós:

- No 1º caso, teríamos matado Ludwig Van Beethoven;
- No 2º, teríamos matado uma das mais famosas cantoras negras, Ethel Walters;
- No 3º, teríamos matado o menino Carol Wojtyla, o tão amado João Paulo II.
- No 4º, teríamos matado um grande pregador Metodista do século XIX, John Wesley;
- E por último, imagine-se quem nós teríamos matado: o próprio Jesus, Aquele que, entre a cruz e o túmulo, deu um grito intemporal à Vida, grito ou voz que ainda hoje ressoa tanto nos que procuram segui-Lo como nos que não suportam a Luz..

O aborto é o acto de interromper a vida; é matar um ser com vida, e a vida é algo que não é referendável; mas neste país que está sob o domínio do consumismo, do materialismo e da obcecada procura do conforto, a vida foi rebaixada a esse nível, foi “coisa” referendada.

No último referendo, o aborto foi tratado pelos grupos que alinharam pelo Não, de forma pouco inteligente e ainda menos corajosa. Deixaram-se conduzir para a área estrategicamente escolhida pelos promotores do Sim, limitando-se a debater os argumentos por eles apresentados, quando na verdade o que deveria debater-se era, e continua a ser, a libidinosa vida do homem, a sua concupiscência, ou por outras palavras, a anárquica e por isso imoral vivência da sexualidade. Esse é que é o verdadeiro problema, o aborto é apenas uma consequência. Mas curiosamente, porque isso implicaria o enrubescer de muitas faces, ao terem que “descobrir a careca” da imoralidade a outros e a si mesmos, nunca foi debatido o verdadeiro factor que depois leva ao aborto, camuflando-se assim todas as infidelidades numa simples manobra de diversão que aponta como grande preocupação os “direitos” da mulher. É, de facto, uma eficaz estratégia para não caírem as máscaras que mantêm a aparência de uma sã moral, ostentada por muito “boa gente”.

Há quem, com seriedade, num simples exercício intelectual, procure encontrar os prós e os contras. Creio eu porém, que, debater os prós e os contras no aborto, é admitir que ainda não se entendeu o que é a vida, é pôr de lado a ética que rege os profissionais de saúde, a moral cristã e a própria ciência que afirma quando começa a vida. Atendamos a estas três grandes colunas, a ética dos profissionais de saúde, a moral cristã e a ciência, e facilmente entenderemos que esse debate não dignifica a inteligência. Debater aqui prós e contras, não é o mesmo que falarmos de sapos na nossa horta, coisa sobre a qual já podemos, sem ofensa para os batráquios, falar sobre tal questão.

No caso do aborto, os “prós”, que na verdade não existem, apenas se podem admitir no limite, quando houver irrefutáveis certezas científicas de que a mãe não sobreviveria ao parto, e só no caso da mãe, porque, no caso do bebé, não deve o homem substituir-se à natureza impondo o momento da sua morte, dado não lhe ter sido passada qualquer procuração nesse sentido pelo soberano Senhor da Vida. E mesmo assim, só à mãe cabe a última palavra, garantido que deve ser o esforço para salvar as duas vidas. Admitido pois, apenas e unicamente no limite dos limites, o conceito de prós e contras não pode ser equacionado nesta gravíssima questão humana e social, uma vez que existe sempre prejuízo e nunca qualquer benefício.

Como já vinha dizendo atrás, neste atoleiro de imoralidade, hostiliza-se a moral e combate-se tenazmente o conceito de pecado, para que o mais macabro dos crimes não tenha essa incomodativa marca. Esse combate tem sido tão astuto e eficaz, que conseguiu obter o efeito da anestesia na consciência social e assim, entorpecida a inteligência e ofuscada a visão espiritual, já se pode matar uma criança sem peso de consciência, porque também a isso ajuda a própria subtileza linguística, que prefere dar ao macabro acto o nome de Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG). Para levar a cabo essa IVG, as formas mais usuais são as seguintes:

POR SUCÇÃO:
Feito até à 12ª semana após o último período menstrual (amenorreia). O colo do útero é amplamente dilatado. Um tubo especial é inserido no mesmo. Uma violenta aspiração, 29 vezes mais poderosa do que a de um aspirador de pó comum, suga o bebé para dentro de um recipiente, desconjuntando-lhe os braços e as pernas, e transformando-o num puré sanguinolento. Este é o método mais comummente utilizado nas clínicas de aborto.

POR DILATAÇÃO E CURETAGEM:
Realizada até à 15ª semana após a última menstruação. Um objecto afiado, de forma semelhante a uma colher, corta a placenta e retalha o corpo do bebé, o qual é então sugado através do colo. Para evitar infecção, após a extracção, os pedaços do nascituro são remontados pelas enfermeiras, pedaço por pedaço, para se assegurarem de que nenhuma de suas partes ficou no útero materno.

POR MEIO DA PÍLULA RU-486:
É um poderoso esteróide sintético, usado para induzir o aborto em mulheres com cinco a sete semanas de gravidez.

POR DILATAÇÃO E EVACUAÇÃO:
Neste processo, o colo do útero é amplamente dilatado, uma vez que a vítima a ser removida, de 13 a 24 semanas, é evidentemente maior. Como os ossos da criança já estão calcificados, torna-se necessário utilizar pinças especiais para desconjuntá-los. A criança tem seus braços e suas pernas desmembrados, e em seguida sua espinha dorsal. Por último, antes de ser sugado, o crânio da criança é esmagado.

POR INJEÇÃO DE SOLUÇÃO SALINA FORTEMENTE HIPERTÓNICA:
Feito da 16a à 24a semana de gestação. Uma seringa de quatro polegadas perfura a parede abdominal da mulher e o saco amniótico, sendo extraídos 60 ml do liquido amniótico. Em seu lugar, são injectados 200 ml de solução salina fortemente hipertónica. Acostumado a alimentar-se do líquido amniótico no qual está imerso, o bebé ingere a solução salina, a qual lhe vai queimando a garganta, os órgãos internos e a pele. Ele tenta em vão lutar pela vida, debatendo-se desesperadamente de um lado para outro dentro do útero, em terríveis contorções. Sua agonia pode durar horas, sendo então expelido do claustro materno. Vê-se então uma criança toda cauterizada, com o corpo vermelho pelas queimaduras produzidas.

POR PROSTAGLANDINAS:
Prostaglandinas são substâncias que provocam contracções próprias ao parto. Elas são injectadas no liquido amniótico ou ministradas sob a forma de supositório. Em consequência das contracções uterinas, a criança é expelida, já morta, ou insuficientemente desenvolvida para sobreviver fora do útero materno.

POR HISTEROTOMIA:
Como na operação cesariana, o abdómen e o útero são abertos cirurgicamente. Só que na histerotomia, ao contrário da cesariana comum, o intuito não é salvar a criança, mas matá-la. Alguns médicos usam a própria placenta para asfixiar o bebé.

POR SUFOCAMENTO:
Este método de aborto é chamado de "parto parcial". Nesse caso, o bebé é puxado para fora deixando apenas a cabeça dentro, já que ela é grande demais. É-lhe então introduzido na nuca um tubo que sugará a sua massa cerebral, levando-o à morte. Só então o bebé consegue ser totalmente retirado.

O ABORTO É O CRIME MAIS HEDIONDO QUE O HOMEM PODE COMETER.


Eis a criação de Deus, trucidada pelos poderes infernais que dominam o homem.

Que crimes terão cometido estes seres humanos, para merecerem a pena de morte por decapitação um, e por envenenamento os outros dois?




Esta criança (imagem da direita) foi assassinada quando
tinha 22 semanas...


Que dizer do facto de haver tanta gente que é capaz de se declarar defensora dos animais, e a um ser humano ser capaz de fazer isto? É só uma a razão: padecem da mais terrível das doenças, de um vírus infernal, e não se dão conta disso…


A pessoa que mata os da sua própria espécie, vive, ainda que do facto não tenha noção, em profundas trevas interiores. E por essa razão, privada da capacidade de ser una com a Vida, não enxerga que está sob o domínio de demoníacos planos.


A mais portentosa demonstração de que a vida humana é um Acto Divino, encontra-se na humanização do próprio Deus, nessa “loucura” de Deus baixar à condição humana, ainda que nascido de Imaculada Mulher, e aceitar padecer como jamais homem algum padeceu, para nos libertar das insídias do Mal.

O Seu maior sofrimento, maior ainda do que as indizíveis torturas, foi ver que o Sacrifício do próprio Deus, a Sua Divina humilhação, seria aproveitada por tão poucos. Ser humano algum jamais sofreu tão esmagadora angústia; tão intensa, que, juntamente com os suores frios, suou sangue, no Monte das Oliveiras.


A VIDA É UM ACTO DIVINO


Nada há mais belo do que a Vida.

E o que de mais antagónico ela tem, é o seu fim por dolosa intervenção de quem está dotado para ser colaborador na Criação.

A tão propalada evolução do homem, desde o Homo sapiens até ao do século XXI, sofre agora um incompreensível retrocesso, filosófica e moralmente falando. Inverte completamente o normal sentido da evolução e, como num infeliz negócio, troca sabedoria por descomprometimento.

O homem de hoje, movido pela obscuridade da razão, crê que tem o poder e a legitimidade moral para estabelecer por lei os caprichos da sexualidade. E na sua mais alta petulância, faz o mesmo que faria um ministro a querer revogar a própria Constituição por meio de uma portaria.

Na sua insaciável sede de auto-suficiência, o homem anseia pelo poder absoluto, tudo procurando sujeitar ao seu domínio. Revela assim a loucura a que chegou, ao negar reconhecer os seus limites e procurar controlar os imutáveis princípios da Criação.

Nada poderia ser mais trágico para o homem do que uma sociedade sem Deus. Caminhando em sentido oposto a Ele, fica privado da Luz que haveria de iluminar a sua consciência, sua inteligência e seus afectos, e a partir daí, vive no trágico abismo das correntes que vão estando na moda, ao fechar a sua consciência para não ouvir o eco da voz do seu Criador.

Qual segunda Torre de Babel, o homem está a ultimar o seu desastroso destino. Todos os males do mundo são a simples e inevitável consequência dessa tragédia maior que é a negação de Deus, e o aborto não é mais do que uma dessas consequências.

Fala-se muito de aborto, pondo sempre em destaque os “direitos” da mulher, e pouco se fala de suas complicações, seus danos e suas consequências. Sobre as marcas que sempre ficam em todos os envolvidos no terrível acto, sugiro que façam essa pesquisa, e verão quão traumatizante pode ser essa experiência, em relatos verdadeiramente impressionantes.

A pessoa que nega o aborto, mesmo que não seja de prática religiosa, é movida pela Luz que reside no mais íntimo de si, Luz que lhe terá sido infundida em seu Baptismo, ou que Deus nela acendeu em qualquer momento da sua vida.

Ao recorrer ao impacto das imagens e à acutilância das palavras, não pretendo apontar o dedo acusador, mas valer-me dos meios que mais possam ajudar a tocar nas consciências.

Se de remédio alguém precisar, tenha sempre presente que a Misericórdia de Deus aguarda amorosamente por todos quantos se sentem arrependidos. O acto praticado Já não pode alterar-se, mas as sequelas psíquicas e emocionais devem ser curadas. Para isso, deve perdoar-se a si mesmo e recorrer ao perdão de Deus. De entre todos os possíveis, é esse o meio mais poderoso e eficaz, o único que opera o milagre da cura completa e definitiva.

Infindáveis páginas teria que escrever para relatar tantos casos de pessoas que tiveram a heróica atitude de defenderem a Vida, mesmo pondo a sua em perigo. Para terminar, eis apenas outros dois casos:

I - PROIBIDA DE TER O SEGUNDO FILHO, TEVE MAIS VINTE E UM

Na homilia das exéquias do Cardeal Eduardo Pirónio, que faleceu em Roma no dia 5 de Fevereiro de 1998, com a idade de 77 anos, disse o Papa João Paulo II:

«Na história da minha família - disse um dia o saudoso Cardeal - existe algo de miraculoso. Quando concebeu o seu primeiro filho, a minha mãe tinha apenas 18 anos e adoeceu gravemente. Curada, os médicos disseram-lhe que já não poderia ter mais filhos sem pôr em perigo a própria vida. Foi então consultar o Bispo Auxiliar de La Plata, que lhe disse:

− Os médicos podem enganar-se; ponha-se nas mãos de Deus e cumpra os seus deveres de esposa.

A partir de então, a minha mãe deu à luz outros vinte e um filhos. Eu sou o último nascido, e ela viveu até aos 82 anos. Mas a história não termina aqui, porque nos anos sucessivos fui nomeado Bispo Auxiliar de La Plata, precisamente no lugar daquele que abençoara a minha mãe. No dia da minha ordenação episcopal - continua ainda o Cardeal Pirónio - o Arcebispo deu-me de presente a cruz peitoral daquele Bispo, sem conhecer a história que havia por detrás.

Quando lhe revelei que devia a vida ao proprietário daquela cruz, ele chorou.Quis referir este episódio narrado pelo próprio Cardeal, porque põe em evidência as razões que sustentaram o seu caminho de fé. A sua existência foi um cântico de fé ao Deus da vida.»
Obs: O Cardeal Pirónio nasceu na diocese de Nueve de Julio, Argentina, cuja padroeira é Nossa Senhora de Fátima.

II - OU ABORTAVA, OU NASCERIA UM MONSTRO

Um médico ginecologista, aconselhou a senhora italiana Maria Ferrante a abortar, porque iria dar à luz uma criança disforme. Eis as suas palavras:

«Minha senhora, a sua gravidez pode trazer complicações muito graves. Tem que abortar, porque corre o risco de dar à luz uma menina disforme: um monstro! E a senhora expõe-se a morrer no parto. Esta gravidez é um grande perigo tanto para si como para a criança».

Não podia dar-lhe pior sentença. Mas dona Maria Ferrante não a acatou, achando que ainda faltava recorrer. Conta ela:

«Eu queria a todo o custo esta criancinha. Não me conformava com um destino tão cruel, como era matá-la. Pus-me nas mãos de Deus e não fiz caso nenhum do que o médico me disse. A minha fé e a minha teimosia deram-me razão. Esse anunciado monstro foi em 1995 Miss Itália».

Eis o "monstro" a quem a medicina aconselhava a matar:

Anna Valle, Miss Itália 1995


Estes e muitos outros casos, mostram como nunca a pessoa recta deixou de ser ouvida. Perante situações em que é habitual dizer-se que é impossível, só se houvesse um milagre, importa que tenhamos em conta que, para que um milagre aconteça, apenas três coisas bastam:

● Ser-se firme na fé;

● Procurar viver de forma a poder merecê-lo, ou por outras palavras, viver na amizade com Deus;

● Desejar algo que seja do agrado de Deus, ou dito de forma diferente, não pedir coisa que possa constituir prejuízo para o seu bem espiritual ou o de outros.

É esta a fórmula tão simples para obter um milagre.

Que tudo quanto aqui foi exposto seja para si, caríssimo leitor, se já foi responsável por algum aborto, a luz que pretende iluminar o seu interior, a sua razão, o seu espírito, e possa assim dar o tão necessário passo para se libertar desse peso que carrega e que a sua consciência lhe faz sentir, porque não há lei humana que possa reconciliá-lo consigo e com Deus.

Reconheça-se como ser preciosíssimo, pois foi criado à imagem e semelhança de Deus. E se é semelhante a Deus, nada pode haver em si contrário ao Bem, porque o Amor é intrínseco à mais perfeita Obra da Criação, que é todo o seu ser.

Que Deus a todos abençoe, e de modo especial àqueles a quem por meio deste trabalho Jesus quer abraçar.
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As imagens foram retiradas de vários sítios da internet. Podem ser vistas muitas mais em: http://www.aborto.com.br/fotos/fotos2/index.htm


José Augusto Santos
(Catequista)

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Aos meus leitores

Penso que já o poderia ou deveria ter feito, mas como mais vale tarde do que nunca, quero agora deixar uma palavra de simpatia e agradecimento a todos os visitantes desta página, e não podendo fazer referência a todos, principalmente aos irmãos brasileiros, que são muitos, agradeço particularmente a quem mais tem lido os meus textos desde Macieira de Cambra, Aveiro, em Prime, Viseu, em Mangualde, na Maia, em Almada, em Lisboa, em Mountain View, California, em Gulfport, Mississippie, em Malden, Massachusetts, em Houston, Texas, em Elizabeth, New Jersey, em Buenos Aires, em Quintana, México, em Fully, Valais, Suiça, em Bruxelas, e tantos outros lugares de varios outros países, desde a Polónia ao Japão, que tornaria impossível aqui referi-los.

Principalmente àqueles que mais frequentemente têm acedido a este espaço, gostaria de pedir algumas sugestões, como os temas que gostariam de ver tratados, ou outra qualquer sugestão que possa levar-me a melhorar e a enriquecer a página, para bem de todos os leitores, com outras "Ideias Positivas".

A todos reitero os meus agradecimentos. Lembrando que é para vós que escrevo, reforço o pedido de alguma sugestão... Enviem-na para o endereço gandacaixa@gmail.com

Que a Paz e a Prosperidade vos sejam favoráveis!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O Cordão e o Óleo de Santa Filomena


São João Maria Vianney, o Santo Cura d'Ars, foi quem mais difundiu o uso do Cordão de Santa Filomena. O Papa Leão XIII aprovou o uso do Cordão em 1893 e concedeu indulgências a todos os que o usarem e rezarem a seguinte oração:

Ó Santa Filomena, Virgem e Mártir, rogai por nós para que, por meio de vossa poderosa intercessão, possamos obter a pureza de alma e de coração, que conduz ao perfeito amor de Deus.

Para lucrar as indulgências plenárias com o Cordão é preciso confessar-se, comungar, e visitar alguma igreja ou um doente, rezando pelas intenções do Santo Padre.

Qualquer pessoa pode fazer o Cordão de Santa Filomena, que deve ser feito em crochê com fios de linho, de lã ou de algodão. Em suas extremidades, de um lado, o Cordão tem dois nós, e na outra 3 nós, simbolizando a Santíssima Trindade e as Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo. Os fios devem ter quantidades mais ou menos iguais em cores branco e vermelho. O branco simboliza a virgindade de Santa Filomena, e o vermelho seu martírio.

A faculdade para benzer os cordões de Santa Filomena foi dada aos Padres de São Vicente de Paulo, mas actualmente qualquer padre pode benzê-lo validamente. A oração oficial da bênção do Cordão é:

Sacerdote - "Senhor Jesus, concedei que todos os que usem este cordão mereçam ser preservados de qualquer perigo e recebam a saúde da alma e do corpo."

O cordão deve ser usado na cintura, sob a roupa, e se possível não ser retirado. Se não for possível usá-lo na cintura, pode-se usá-lo no braço ou na perna.

O Óleo de Santa Filomena

Esse óleo milagroso é retirado de qualquer lamparina que esteja iluminando uma imagem ou estampa de Santa Filomena, para passar no local da enfermidade.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Carta aos crismandos

Depois de ter ouvido as últimas palavras do Evangelho na Santa Missa de hoje (Mt 5, 16) e porque o propósito desta página é o de suscitar "Ideias Positivas", senti-me interpelado a partilhar convosco as últimas palavras escritas que dirigi ao grupo de crismandos adultos na véspera do Crisma, recebido no passado Domingo, dia 6.

Meus queridos irmãos:

Neste dia tão singular das vossas vidas, dia de Pentecostes que o Espírito vai fazer em vós, não podia deixar de vos dirigir umas breves palavras, dada a importância de tão grande e imperscrutável acontecimento.

Meus queridos: sabei que sois para mim motivo de uma grande e santa alegria, ao ver que o Espírito de Deus tem encontrado em vós o espaço que tantos e tantos lhe negam. Por isso, peço-vos encarecidamente, queridos irmãos, que, nos últimos momentos que antecedem a recepção do Sacramento, nada vos distraia. Nem o social, nem o material, nem qualquer outra futilidade.

Lembrai-vos que, a todo o crismando, o que acontece não é mais nem é menos que Aquilo a que foram sujeitos os Apóstolos no dia de Pentecostes. Assim saiba cada um dispor as coisas em seu espírito, de forma a tornar-se um digno acolhedor das torrentes de Graça que o Espírito Santo derrama em tão maior abundância quanto maior for a abertura e disponibilidade do receptor.

Vós sabeis − e por isso tanto me alegro − que tudo o que há de maior na terra, em rigor, não é nada, comparado com as coisas do Alto. O que vai acontecer em vós, é algo de imensamente grande, dado que é a mesma coisa e procedente do mesmo e Único Espírito que operou nos Apóstolos.

Com Eles sucedeu aquilo que a Sagrada Escritura nos conta. Suceda pois, também convosco, o que Deus quiser por vosso meio. De todos e de cada um, Ele espera grandes coisas, e se para Deus a medida é diferente da nossa, aos Seus olhos as grades coisas podem já ser o desejo e o esforço diário da nossa conversão. Sabei que recebeis os Dons necessários para que o mundo venha a ser o palco da acção do Espírito Santo que em vós habita, desde que, por vergonha ou outra qualquer razão, não abafeis o Espírito que por vós se quer revelar aos outros. Se fordes dóceis às Suas sugestões, ainda que isso não vos livre de algumas canseiras, vereis o vosso coração inebriado pelo Amor. É essa a primeira e grande recompensa recebida já nesta vida.

Oh, que tristeza; que pobreza a daqueles que se abeiram do sucessor dos Apóstolos para receberem o Crisma, apenas porque completaram a catequese e não ordenaram tudo em si para receberem de forma digna o Espírito Santo.

Sabei vós, meus queridos irmãos, compensar o bom Deus, o Pai que é Amor e que por isso tanto sofre por tantos que, não tendo criado intimidade com Ele, nem se apercebem do quanto Deus os ama, nem do quanto poderia dar-lhes.

Por último, peço-vos que, depois de já vos terdes aprontado − o que deveis fazer com relativa antecedência − e antes de saírdes para a Festa, recolhei-vos no espaço que achardes apropriado para, em oração, pedirdes à Rainha dos Apóstolos que vos ajude a preparar interiormente para receberdes Aquele que n’Ela sempre encontrou o Sim.

Que Aquele que ides receber em plenitude encontre em vós a receptividade necessária às Suas sugestões, e possais assim ser uma vela acesa diante de tantos irmãos que se deixaram envolver pela escuridão do mundo.

Sede corajosos, meus queridos, e tornai-vos verdadeiros Soldados de Cristo! Amem!


(Um catequista enamorado por Deus e pelo coração dos que Lhe são dóceis)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Dizem que Santa Filomena já não é santa

Em termos históricos, o que se sabe sobre Santa Filomena resume-se apenas àquilo que a ciência nos pôde revelar depois de encontradas as suas relíquias nas escavações das Catacumbas em Roma, em 25 de Maio de 1802, de onde se concluiu tratar-se de uma jovem entre 13 e 15 anos que morreu mártir pela Fé.

Fosse apenas esta descoberta arqueológica e não teríamos mais do que um achado com algum valor histórico-religioso, mas querendo Deus que muitas almas fossem favorecidas no chamamento à santidade, permitiu que a Santa aparecesse a três pessoas.

Uma delas, a religiosa Maria Luísa de Jesus, ou Maria Luísa Trichet (beatificada a 16 de Maio de 1993, por João Paulo II), foi quem relatou mais pormenorizadamente a vida da Santa, depois de o seu director espiritual lhe ordenar que escrevesse o que nas aparições lhe era revelado. Analisados os relatos pelo Santo Ofício, esta Congregação da Cúria Romana pronunciou-se favoravelmente, concedendo às revelações o Imprimatur para publicação.

Segundo esses relatos, podemos hoje saber que em finais do século III (c. 290), um rei da Grécia e sua esposa, que também era de sangue real, sofrendo por não conseguirem ter filhos, dirigiam constantes preces e ofereciam sacrifícios aos seus deuses. O médico do palácio, de nome Públius, era cristão. Não se resignando com a cegueira espiritual de seus soberanos, inspirado pelo Espírito Santo, falou-lhes da Fé em Cristo, garantindo-lhes que suas preces seriam ouvidas se abandonassem os falsos deuses e abraçassem a Fé Cristã. Impressionados com o que ouviram, e tocados pela Graça, receberam o Baptismo. No dia 10 de Janeiro do ano seguinte nasceu-lhes uma linda menina, à qual deram logo o nome de Lumena, por ter nascido à luz da fé. Na pia baptismal deram-lhe o nome de Filomena, isto é, Amiga da Luz, da Luz que receberam do Altíssimo, do Verdadeiro Deus.

Aos cinco anos de idade, a princesinha recebeu pela primeira vez a Sagrada Comunhão e desde então lhe aumentavam os desejos de íntima união com o Divino Redentor, até que, na idade de 11 anos, a Ele se consagrou por voto de virgindade perpétua.

Estava a jovem Princesa prestes a completar 14 anos, quando sob o reino de seu pai recaía a ameaça do Imperador Diocleciano, o que o levou a Roma para tentar negociar a paz. Ao ver tão bela jovenzinha, encantou-se por ela o imperador e propôs desposá-la em troca de uma paz duradoura.

No regresso a casa, vendo seu pai a oportunidade para não ser esmagado por Roma, bem tentou, com plagentes súplicas a seus pés, fazer ver à princesa o bem que isso representava para o reino, mas como o coração de Filomena já vivia desposado por Jesus e ainda que isso lhe causasse o maior constrangimento, o não poder obedecer a seu amado pai, opôs-se ela irredutivelmente às pretensões de Diocleciano.

Conhecedor dessa recusa, o imperador chamou Filomena a Roma, convencido de que, cortejando-a, a faria mudar de ideias. Porém, a intrépida princesa, manteve-se fidelíssima a seu divino Esposo, e, furioso, o tirano ordenou que fosse encarcerada e flagelada. Tendo sarado miraculosamente do suplício da flagelação, foi mandada lançar ao rio Tibre, com uma âncora amarrada ao pescoço. Entretanto, o Divino Redentor veio em socorro da Sua consagrada: no exacto momento em que a mesma estava sendo atirada ao rio Tibre, dois Anjos apareceram, cortaram a corda que prendia a âncora, e transportaram-na para a outra margem, sem que as águas lhe tocassem sequer as vestes.

Esse grandioso milagre foi presenciado por centenas de pessoas, das quais muitas se converteram, inclusive os soldados que a lançaram ao Tibre. O Imperador, porém, atribuiu o maravilhoso prodígio a algum poder mágico da menina, declarou-a feiticeira e ordenou que fosse arrastada pelas principais ruas da cidade e depois trespassada por setas. Mortalmente ferida, foi abandonada no cárcere como se já estivesse morta. Mas seu Celeste Esposo fê-la cair num sono reparador, do qual despertou completamente curada e mais formosa que nunca.

O cruel tirano ordenou, então, que as setas fossem metidas numa fornalha até ficarem enrubescidas, certo de que dessa forma não sobreviveria aos mortais ferimentos. As setas, porém, voltaram-se contra os próprios arqueiros, causando morte instantânea a seis deles. Temendo o Imperador maiores consequências, e já bastante confuso, ordenou que a Princesa fosse imediatamente decapitada. Mas ainda desta vez nenhum poder teria o tirano, se não fosse a vontade do Altíssimo a permitir a consumação do martírio, a fim de que a "Princesinha do Céu" - conforme a chamara a Virgem Santíssima - pudesse receber na Glória do Paraíso o prémio eterno devido à sua incondicional fidelidade a Cristo Jesus.

Colheu a heróica Filomena a palma do martírio numa sexta-feira, às três horas da tarde, sendo 10 de Agosto o dia.

Conhecida a vida da Princesa Mártir por meio das referidas revelações, muitas foram as almas que dela obtiveram grandes graças. A Venerável Pauline Jaricot, curada miraculosamente, insistiu para que o Papa Gregório XVI, que testemunhara pessoalmente o milagre, iniciasse o exame necessário à canonização da Virgem Mártir, que já estava sendo conhecida como grande taumaturga. Tendo o Romano Pontífice recebido o parecer favorável da Sagrada Congregação dos Ritos, depois de aturados exames, elevou-a à honra dos altares, instituindo ofício próprio para o culto e festa, proclamando-a A Grande Taumaturga do Século XIX, Padroeira do Rosário Vivo e Padroeira dos Filhos de Maria.

O sucessor de Gregório XVI, Pio IX (beatificado por João Paulo II em 3-9-2000), no dia 7 de Novembro de 1849 celebrou a Santa Missa no altar onde estão as Santas Relíquias e, no dia 15 de Janeiro de 1857, concedeu ofício próprio com Missa. Antes de ocupar a Cadeira de Pedro, ele mesmo passou pela extraordinária experiência de ser milagrosamente curado pela “Princesinha do Céu”. Leão XII (dois pontificados anteriores a Gregório XVI − de 1823 a 1829), antes de ser eleito peregrinou por duas vezes ao Santuário de Mugnano, e como Papa fundou a Confraria e Arquiconfraria de Santa Filomena. Leão XIII foi outro peregrino da Santa por duas vezes. E em 1884 aprovou, consagrou e indulgenciou o cordão de Santa Filomena. Também o seu sucessor, São Pio X, respondeu aos mesmos apelos do Espírito, deixando à imagem da Santa um riquíssimo anel.

O amor da “Princesinha do Céu” por Jesus foi tão grande como é o seu poder de intercessão, poder já sentido na terra por muitas almas simples, pelos corações enamorados por Deus, como aconteceu, além dos vários papas, com alguns santos. De entre estes, seus mais memoráveis devotos foram São João Maria Vianney (o Santo Cura d’Ars), Santa Madalena Sofia Barat, São Pedro Chanel, São Pedro Julião Eymard, e o Beato Bártolo Longo.

Tantas e tão grandes maravilhas foram alcançadas no Céu por Santa Filomena em favor dos seus devotos, que Satanás se enfureceu ao ver o elevado número de almas atraídas para o caminho da santidade, e não descansou enquanto não encontrou o meio de impedir esse sentir dos impulsos do Espírito Santo nas almas. Para isso o eterno inimigo de Deus valeu-se do Decreto da Sagrada Congregação dos Ritos, de 14-2-1961, que lhe serviu de passadeira vermelha para apresentar a confusão e o erro, que chegaram de “braço dado”.

Dizia o decreto: "A festa de Santa Filomena, Virgem e Mártir (11 de Agosto), seja eliminada de todos os calendários litúrgicos".

Quanto a mim, esta determinação vem pôr em causa a sobriedade intelectual e a autoridade pastoral de vários Papas, até daqueles que foram miraculados e dos que presenciaram “o grande milagre de Mugnano”, dizendo ainda, de forma implícita, que os vários santos devotos de Santa Filomena também exageraram…

Estando já na altura lançada a luta contra a sã juventude, havia que remover a “Princesinha do Céu” desse trabalho de angariação dos jovens para Deus, por ser uma tão grande referência. Por isso creio que uma mão negra esteve por trás de tão desastroso documento, caso contrário, em vez daquilo que foi feito, por alegada fantasia contida no texto litúrgico, reformulavam-no apenas…

Dada a confusão gerada, o Padre Luís Espósito, antigo reitor do santuário de Santa Filomena em Mugnano, Itália, escreveu em 11 de Agosto de 1974: "Em 1964, com aprovação do Bispo Diocesano, apresentei um pedido de interpretação autêntica desta disposição, perguntando se aquela determinação proibia todo o culto à referida Santa. Recebi esta resposta: 'Foi tirado o culto litúrgico, mas mantém-se, sem alteração, o culto popular. A Santa pode ser venerada e pode ser honrada também com festa externa, com a missa do Comum das Virgens Mártires'".

O actual (?) Reitor do Santuário, Padre João Brachi, mandou esta resposta a pedido da Cruzada: "Pode celebrar-se com tranquilidade de consciência a missa em honra de Santa Filomena, do Comum das Virgens Mártires, e pode expor-se, sem hesitação, nos altares, a sua imagem. A disposição da Santa Sé, de 14 de Fevereiro de 1961, nunca teve a intenção de prejudicar ou eliminar o culto ou devoção popular a Santa Filomena".
O Bispo de Mysore, na Índia, perguntou ao Santo Padre João Paulo II o que havia a este respeito. Recebeu esta resposta: "Pode continuar o culto popular a Santa Filomena".

Muito mais poderia ainda dizer em favor da verdade factual sobre a "Princesinha do Céu", espero porém, que isto seja o suficiente para remover o erro em que muitos bons católicos caíram, mesmo muitos padres, como aquele de quem tive conhecimento de que impediu uma devota de Santa Filomena de levar o andor com a sua imagem na procissão anual da terra, dizendo-lhe que «Santa Filomena não é santa». Que todos aqueles que mais poder de influência têm corrijam esse erro, não impeçam os corações Simples de tê-la como poderosa intercessora, e o Mal verá reduzido o seu poder sobre as almas.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Crucifica-o!

Por JOÃO CÉSAR DAS NEVES*
In Diário de Notícias (5-4-2010)

Como Nero, os jornais hoje querem convencer-nos de que os padres comem criancinhas

Apedofilia é um crime horrendo. Pior se o criminoso for educador. Mais ainda se for clérigo. A prioridade em casos tão graves é prevenção, socorro às vítimas e punição exemplar. A Igreja Católica tem de ter regras muito claras para estes casos, e vigilância atenta e severa. E tem.

Então porquê o debate? Ele mistura dois crimes diferentes. As acusações de pedofilia vêm a par de outro crime, muito menos grave mas mais vasto, de difamação contra a Igreja.

Sabemos tratar-se de difamação porque os sintomas tradicionais são evidentes. Primeiro as acusações não se dirigem aos verdadeiros culpados. Quem realmente se ataca são, não pedófilos, mas o Papa, cardeais e bispos. Discute-se, não psicologia infantil, mas política eclesiástica.

Em segundo lugar utiliza-se um truque estatístico clássico. Tomam-se 50 anos, em todo o mundo e acumulam-se todos os casos encontrados. Desta forma demonstra-se o que se quiser; este é o método das provas "científicas" invocadas por horóscopos, charlatães e milagreiros. Empilham-se situações muito antigas e muito diferentes que, juntas, ninguém perde tempo a considerar com atenção. Conta só a imagem global. A imaginação faz o resto. Nunca se questiona a agregação de casos díspares ou a razão de surgirem todos de repente agora.

O terceiro sintoma é não se usarem os indicadores adequados: percentagens. Que peso dos criminosos no total dos sacerdotes? Muito mais importante, qual a percentagem destes casos no total dos abusos? Se o que nos preocupa são as crianças, este dado é decisivo. Os poucos estudos sociológicos sérios mostram que «no mesmo período em que uma centena de sacerdotes católicos eram condenados por abusos sexuais de menores, o número de professores de educação física e de treinadores de equipas desportivas (...) considerados culpados do mesmo delito nos tribunais americanos atingia os seis mil. (...) Dois terços dos abusos sexuais a menores não são feitos por estranhos (...) mas por membros da família» (www.cesnur.org/2010/mi_preti_pedofili.html). E omitem-se factos incómodos, como «80% dos pedófilos são homossexuais» (idem).

Descuidadas nos dados, as notícias fervilham de comentários e interpretações. Muitas antecedidas de frases como «até há quem pense…», o que permite colocar a seguir o que se quiser, pois há sempre quem pense o mais abstruso. Espanta que jornais respeitáveis entrem nestas práticas. Práticas cuja finalidade fica clara ao ler-se a conclusão invariável: «perda de autoridade moral da Igreja». Mas a autoridade da Igreja vem de outro lado. E que autoridade moral tem o jornal para dizer isto? O contexto é a guerra cultural. Parecendo combater a pedofilia, visa-se a promoção do aborto, eutanásia, divórcio, promiscuidade.

A prática é tradicional. Assim se criou há séculos o mito da Igreja sanguinária nas cruzadas e Inquisição. Tirando os casos do contexto, relacionando épocas diferentes e empolando os números, gerou-se a lenda do terror inquisitorial em que hoje ainda até muitos católicos acreditam. Não importa que os processos fossem rigorosos e transparentes, as condenações uma ínfima minoria dos casos julgados e pouquíssimas face às execuções civis, numa épocas de pena capital habitual. Julgadas em contexto cultural muito diferente, essas informações distorcidas e parciais criaram uma das maiores falsificações da História.

Nada disto anula os terríveis pecados cometidos, quer nos atropelos da Inquisição, quer nos indiscutíveis casos de padres pedófilos. Cada injustiça inquisitorial, como cada abuso de menor, é horrível e exige atenção e punição exemplar. Por isso Papa e bispos pedem desculpa e impõem responsabilidades.

Mas o que temos agora é outra injustiça, a de tentar degradar toda uma classe respeitável e, por arrastamento, a maior denominação religiosa do mundo, com acusações apressadas e distorcidas. Como Nero, os jornais hoje querem convencer-nos que os padres comem criancinhas. Como há 2000 anos, esta Páscoa é celebrada ao som do grito «crucifica-o, crucifica-o!»

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* Prof. Doutor, Presidente do Conselho Científico da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica Portuguesa

domingo, 4 de abril de 2010

As imagens segundo a Bíblia - Resposta às acusações feitas aos católicos

A Bíblia é um conjunto de vários livros (73), dos quais não devemos em grande parte concluir o sentido literal das palavras, mas existem outras confissões que pouco mais parece fazerem do que isso mesmo. A confirmá-lo estão todas as acusações que nos dirigem quando argumentam que na Bíblia está escrito que não devemos adorar as imagens. Até aí, não há qualquer diferença entre não católicos e católicos, pois, também nós conhecemos muito bem as proibições que sobre isso constam em diversas passagens da Escritura.

Certo dia falei com uma pessoa de uma igreja protestante sobre o tema e, em alguns aspectos, acreditei tê-la esclarecido. Um ou dois dias depois, refutando o que eu tinha dito, mostrava-me num pedaço de papel uma anotação ditada pelo pastor da igreja onde tinha ido, para provar que nós continuamos errados. Convida-me então a ler o Sl 135, 15-17, e Is 44, 15-17, que dizem respectivamente:

Sl 135, 15-17: «Os ídolos dos gentios não passam de ouro e prata, obras das mãos do homem; têm boca e não falam, têm olhos e não vêem, têm ouvidos e não ouvem, nem há qualquer respiração na sua boca» (o mesmo podemos encontrar em Sl 115, 4-7).
Is 44, 15-17: As pessoas usam essa madeira para o lume, para se aquecerem ou cozerem o pão para matar a fome. Porém ele faz um deus e adora-o, fabrica uma imagem e prostra-se diante dela. Queima no fogo metade desta madeira, assa a carne sobre as brasas e come-a até se saciar. Depois, aquece-se e diz: «Bom! Estou quente e tenho luz!» Do resto faz a imagem de um ídolo, adora-o e dirige-lhe esta oração: «Salva-me, porque tu és o meu deus!»

Interpretar à letra o que foi escrito numa determinada época, dentro do contexto cultural e religioso de então, parece-me ser uma ofensa à própria história da religião. Por outro lado, desde que estejamos atentos à catequese de cada texto ou passagem bíblica, facilmente constatamos a actualidade da mensagem, dada a intemporalidade da lei – porque intemporal é o seu Autor.

Para ajudar a este raciocínio, suponhamos que o que está escrito sobre a condenação à idolatria tenha sido escrito na actualidade para nós os católicos, por sermos o povo de Deus que continua a prevaricar na idolatria, não obstante a Revelação do próprio Deus Filho. Assim, se a Bíblia continuasse agora a ser escrita à semelhança dos livros da história das nações, não poderia deixar de condenar os ídolos ou deuses da actual sociedade, incluindo, por certo, uma veemente condenação à deusa criada pelos governos, a economia, que transforma o homem em simples número estatístico; às abismais assimetrias sociais geradas pelo primeiro dos pecados capitais que domina os poderosos, o que não queria dizer que Deus era contra o desenvolvimento social, pois estaria em desacordo com toda a história bíblica, onde vemos que a prosperidade é prometida a todo o povo que caminha sob a orientação do Criador. E falamos da prosperidade, mesmo dos bens materiais.

«Ninguém pode servir a dois senhores» (Mt 6, 24), mas, a riqueza, o protagonismo, o poder, a sensualidade, o luxo e o sexo, são apenas alguns desses outros senhores, ídolos com os quais se contamina o actual povo de Deus, povo que se deixa perverter pelo deus que seduz e domina o homem de hoje, esse deus que é o hedonismo.*

Sempre que um católico aceita falar sobre religião com alguém de outros credos ditos cristãos, não consegue evitar que esgrimam a famigerada questão das imagens, sempre com o “mas na Bíblia diz...”, citando algumas passagens previamente estudadas para o efeito. Aquela que por alguns é mais usada, e que pode de certa forma representar todas as outras em resumo, encontra-se em Deuteronómio:

«Não terás nenhum outro deus além de mim. Não farás para ti nenhuma imagem esculpida, seja do que está no alto do céu, ou em baixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não as adorarás, porque Eu, o Senhor, sou o teu Deus». (Dt 5, 7-9a)

O erro dos nossos acusadores reside no facto de não atenderem ao factor da osmose cultural e religiosa entre o povo escolhido e os povos com os quais vivia, dada a facilidade com que adoptava os seus ídolos, voltando costas Àquele que o libertou de uma escravidão de 400 anos. Para não cairmos no mesmo erro dos que nos acusam, devemos ter em conta que, há 3200 anos Deus assim falou, porque naquele tempo a concepção caldaica** do mundo dividia-o em três regiões: o céu por cima, a terra por baixo e as águas (abismo) debaixo da terra, sendo todas estas regiões povoadas por deuses; não esquecendo que os cananeus tinham por seus verdadeiros deuses imagens de homens e mulheres, os egípcios de animais e os mesopotâmios os astros, daí as palavras que encontramos em Dt 4, 16-19.

Vale a pena vermos um curioso episódio que pode ajudar a perceber as críticas aos falsos deuses lendo Dn 14, 1-22, e vermos como Daniel reagiu a uma invectiva do rei Ciro e como acabou com o culto ao deus Bel.

Resumindo:
- Deus sempre condenou (e continua a condenar) toda e qualquer espécie de idolatria.
- Proibiu a feitura de imagens que fossem tidas por deuses; porém, em parte alguma da Bíblia vemos que Ele tenha algo contra ou se oponha a elas, quando não são tidas como tal.

Prova irrefutável disso mesmo é o facto de até as mandar fazer, o que podemos constatar em várias passagens.

Em Ex 25, 18-22, Deus manda fazer do ouro mais fino dois querubins, como guardiões da Arca da Aliança; em II Cr 3, vemos que o rei Salomão mandou esculpir dois enormes querubins que foram revestidos do ouro mais fino, para adornarem o Templo, e isso agradou ao Senhor. Desde o Pentateuco aos livros históricos, são feitas várias alusões a favor das imagens, que podemos ver em Nm 7, 89; II Sm 6, 2; II Reis 19, 15; II Cr 3, 10; II Cr 7, 12-16, e outras.

Se os nossos acusadores estivessem certos, então teríamos que dizer que Deus se contradiz, uma vez que, se em Dt 4, 18a diz para não se fabricar «representação de qualquer réptil que rasteje pelo chão», como pode mandar Moisés fazer a imagem de uma serpente em bronze e colocá-la sobre um poste, para que todo aquele que tivesse sido mordido e olhando para ela, vivesse? (Cf. Nm 21, 8)

Quando conversava com Nicodemos, o próprio Jesus, fazendo referência ao que estava para lhe acontecer, compara o facto ao episódio da imagem da serpente que Moisés fez no deserto, para nos ajudar a compreender a catequese da Cruz (Cf. Jo 3, 14-15).
Passando da análise e necessária compreensão dos textos bíblicos para o nosso próprio dia-a-dia, ocorre-me concluir com um episódio que comigo se passou (já lá vão uns anos):

Terminado o serviço militar obrigatório, encontrava-me a várias centenas de quilómetros de uma jovem por quem me sentia enamorado. Sentado à lareira, segurava nas mãos o que era a sua imagem, uma fotografia. Olhando para ela, contemplava-a de uma forma que, uma das vezes, até levou a minha mãe a dizer: “És um tolinho!...” Outras vezes, olhando-me, sorria, enquanto acenava ligeiramente a cabeça, quando eu encostava aquela imagem ao peito.

Acredito que nem a pessoa mais ingénua ousaria dizer que eu amava aquela fotografia. Ela apenas me servia para me ajudar a lembrar da minha amada, o que me fazia recordar como me sorria, como me segurava a mão, como me olhava, enfim, como ela era.
Pela mesma razão, passei mais tarde a trazer na carteira mais duas imagens. Quando por vezes estava fora de casa e olhava um pouco para elas, sentia o quanto amava quem nelas estava representado, os meus dois filhinhos e sua mãe (aquela cuja fotografia serviu para que a minha mãe brincasse com o meu “estado febril”).

Na nossa paróquia, será habitual lembrarmo-nos de Santo Estanislau? Pois... não há nenhuma imagem dele...

Sirva este trabalho para remoção de eventuais dúvidas suscitadas em vós e para glória de Deus.

_____________
* Sistema moral que considera o prazer como o supremo bem a atingir.
** A Caldeia era uma antiga região a sul da Mesopotâmia habitada pelos caldeus, cujo nome foi mais tarde utilizado para designar toda a Babilónia.

José Augusto Santos
(Catequista)

segunda-feira, 8 de março de 2010

Que a mulher seja reconhecida todos os dias

8 de Março, Dia Internacional da Mulher

A Mulher, foi o melhor que Deus deu ao homem. Que os dois vivam essa maravilha que é serem um para o outro, conceito bem diferente daquele que é serem um do outro, e deixará de se justificar um "Dia da Mulher", porque bem maior é a dignidade que lhe deve ser reconhecida em todo o momento, e não apenas numa determinada data.

Saiba o homem ser merecedor da Mulher, e Deus não lhe faltará.

Que a mulher, por sua vez, saiba encontrar em Deus o verdadeiro sentido da "igualdade", e assim contribuirá para a verdadeira complementaridade entre o feminino e o masculino.

Que Deus ajude a mulher, e a reconduza ao lugar que lhe destinara no momento da sua criação, que foi o ser uma bênção para o homem.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

S. Valentim - O pretexto para se festejar "um santo" que o comércio "abençoa".

Não deixa de ser curioso que seja uma cultura pagã quem mais evoca um Santo da Igreja Católica. Crentes ou ateus, todos "celebram" o dia 14 de Fevereiro como o dia de S. Valentim, ou dia dos namorados. Mas o que é que na verdade é celebrado? Para uma sociedade pagã, consumista, importa contar uma história que se adapte às suas conveniências, ainda que muito se fantasie, se invente, enfim, se crie uma história que muito pouco tem a ver com a realidade.

O que há de comum neste dia 14 de Fevereiro, é haver dois Santos com o nome de Valentim, criando-se uma lenda que mistura factos da vida dos dois, cuja história não está, aliás, perfeitamente esclarecida, fantasiando de forma a dar ao povinho uma história bem ao jeito das novelas, onde não podia faltar, como é óbvio, algo de romance (o que encontramos em alguns textos sobre S. Valentim). É, como nem podia deixar de ser, o que fica bem para uma “celebração comercial”.

Para não enfileirarmos nesse grupo que aceita tudo o que lhe é apresentado com todas as técnicas de markting, importa que saibamos o que nos dizem os livros aprovados pela Igreja sobre S. Valentim.

Dizem os hagiógrafos que, o primeiro, era sacerdote romano que fora preso no reinado do imperador Cláudio o Gótico. Tendo comparecido diante do imperador, confessou abertamente a sua fé e, interrogado sobre o que pensava de Júpiter e de Mercúrio, declarou que não passavam de personagens impudicas e desprezíveis.

Foi por isso de seguida entregue a um magistrado, de nome Astério, cuja filha adoptiva era cega. Curando-a, o sacerdote Valentim conseguiu dessa forma a conversão de Astério e toda a família. Ao ter conhecimento do facto, o imperador ordenou que o sacerdote fosse açoitado, quase até à morte, sendo de seguida decapitado na Via Flamínia, no ano 270.

Em honra deste mártir, mandou o papa Júlio I construir uma igreja no séc. IV, vindo a ser restaurada pelo papa Honório I no séc. VII, tornando-se depois disso um centro de peregrinações muito frequentado.

S. Valentim passou a ser evocado como padroeiro dos noivos e dos jovens que, ainda não sendo noivos, pensam em casar. Parece dever-se isto ao facto de o Santo, em épocas em que o seu culto esteve mais popularizado, ser festejado tradicionalmente nos países saxónicos (territórios que hoje compõem a Alemanha) na época em que os pássaros costumavam fazer seus ninhos e por isso, terá passado a ser considerado o padroeiro dos enamorados e noivos. É ainda invocado de modo especial para a cura da epilepsia, peste e desmaio.

O segundo S. Valentim foi prelado da Sé de Térni, na Úmbria (região no centro da Itália), desde o ano de 223. Informado das suas virtudes e milagres, um filósofo romano, chamado Crato, pediu que lhe fosse curar o filho, atacado de mal sem remédio. O bispo foi a Roma e prometeu que faria o que dele se esperava, desde que o pai e restante família se convertessem. A condição foi aceite e cumprida; e até se excedeu o prometido, pois renunciaram aos deuses e abraçaram a fé cristã três jovens atenienses, discípulos de Crato, ao verem que pelos seus deuses jamais obteriam a cura operada através do bispo Valentim. Quando o prefeito Abúndio soube o que se tinha passado, mandou decapitar o bispo. O seu corpo foi em seguida levado para Térni por alguns atenienses convertidos. S. Valentim é ainda hoje honrado como patrono da cidade.

Quão triste não se sentirá nesta data o Santo, ao ver o seu nome evocado em todo o mundo por razões que nada têm a ver com religião, e muito menos com qualquer apelo à santidade.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Testemunha da existência da rede clandestina de Pio XII

No seguimento do "post" anterior, transcrevo agora, integralmente, este outro texto da Agência ZENIT, depois de alguns ajustamentos para o Português de Portugal.


ZP10011413 - 14-01-2010Permalink: http://www.zenit.org/article-23795?l=portuguese

A "prova viva" da existência da rede clandestina de Pio XII em auxílio dos judeus

Entrevista com um de seus membros, o padre Giancarlo Centioni
Por Jesús Colina

ROMA, quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010 (ZENIT.org).- Alguns setores da opinião pública têm pedido, em semanas recentes, provas da ajuda oferecida por Pio XII aos judeus durante a perseguição nazista. O sacerdote italiano Giancarlo Centioni, 97 anos, é uma das provas vivas, já que é o último membro vivo da rede clandestina criada pelo Papa Pacelli.

Entre 1940 a 1945, Centioni foi capelão militar em Roma na Milícia Voluntária pela Segurança Nacional, tendo vivido com sacerdotes alemães da Sociedade do Apostolado Católico. “Na condição de capelão fascista, era mais fácil para mim ajudar os judeus ", disse ele, explicando por que foi escolhido para participar da arriscada operação.

“Meus colegas sacerdotes palotinos provenientes de Hamburgo tinham fundado uma sociedade denominada "Verein Rafael '(Society of San Raffaele), criada para prestar auxílio aos judeus", revelou.

Um dos objetivos da rede era dar suporte à fuga de judeus da Alemanha, através da Itália, em direção à Suíça ou Portugal, motivo pelo qual a rede contava com membros nos quatro países.
Na Alemanha, lembra o padre Centioni, a sociedade era dirigida pelo padre Josef Kentenich, conhecido em todo o mundo como o fundador do Movimento Apostólico de Schönstatt.

Posteriormente, este sacerdote acabou sendo preso e mantido num campo de concentração até o final da guerra.

“Em Roma, o líder de todas estas atividades era o padre Anton Weber, o qual tinha contato direto com Pio XII e sua secretaria”, explicou.

Uma das principais atividades da rede consistia em obter passaportes para que as famílias judias pudessem deixar a Alemanha.

“Estes passaportes eram obtidos diretamente da Secretaria de Estado de Sua Santidade, pela intervenção direta do próprio Pio XII”, acrescentou.

“Comigo atuavam ao menos 12 sacerdotes alemães em Roma”, prosseguiu o padre, explicando que a rede recebia também uma ajuda decisiva da polícia, em particular do chefe adjunto de Mussolini, Romeo Ferrara, que lhe informava o local onde estavam escondidas as famílias judias para que pudessem levar os passaportes " – “mesmo à noite”.

Padre Centioni lembra uma dessas ocasiões, em que o policial o enviou durante a noite, advertindo-o para ir vestido com os trajes de Capelão para que “não fosse preso por soldados alemães”, a uma casa na qual estava escondida uma família judia de nome Bettoja.

O sacerdote diz lembrar “nitidamente” do medo e das dificuldades na operação, inclusive por parte das famílias que ajudava. “Bati à porta, mas não quiseram abrir. Disse então que não temessem, pois era um capelão e vinha para ajudar, para trazer os passaportes”; “juro, vocês podem ver através do olho-mágico da porta”, e então foi finalmente recebido pela senhora Bettoja com as crianças.

“Disse a ela: saiam amanhã antes das 7 em seu automóvel, porque às 7 poderão cruzar a fronteira pelo Lácio em direção a Gênova”. Fugiram e se salvaram. “Foi uma das tantas famílias”, disse.

As atividades da rede se iniciaram antes mesmo da invasão alemã na Itália, lembra o padre Centioni, e prolongou-se "até onde eu sei, até depois de 45, porque as relações do padre Weber com o Vaticano e os judeus eram muito vivas”.

"Entre aqueles que posteriormente colaboraram conosco, havia dois judeus que escondemos: um homem de letras, (Melchiorre) Gioia, e um grande músico e compositor de Viena, autor de canções e operetas, Erwin Frimm”.

“Todas pessoas de coragem”, disse. “Nos ajudaram muito com informações precisas” - reconheceu” – “mesmo colocando sua própria vida em risco”.

“Ajudei Ivan Basilius, um espião russo, que eu não sabia que era russo nem espião; era judeu. Foi preso pela SS e nas revistas, encontraram meu nome em suas anotações. Então, convocou-me a Santa Sé, sua excelência Hudal [alto e influente prelado alemão em Roma], dizendo: “venha para cá, pois a SS quer prendê-lo”. Perguntei: “Mas o que fiz?” - “Você ajudou um espião russo”. “Eu? Quem é?” - Então escapei.

Pe. Centioni, como capelão, conheceu pessoalmente o oficial alemão Herbert Kappler, comandante da Gestapo em Roma e autor do massacre das Fossas Ardeatinas, no qual 335 italianos foram assassinados, entre os quais muitos civis e judeus.

“Durante a invasão alemã, logo após a carnificina, perguntei a Kappler, a quem via com freqüência: por que não chamaram os capelães militares para as Fossas Andreatinas? E ele me respondeu: porque teria eliminado também eles”.

Pe. Centioni assegura que as centenas de pessoas que pôde ajudar tinham conhecimento de quem estava por trás de tudo. “Quem os ajudava era o Papa Pio XII, por meio de nós sacerdotes e da Raphael's Verein”, e através dos Verbitas, sociedade alemã em Roma. A entrevista foi concedida à Agência ZENIT e à Agência H2ONews (http://www.h2onews.org/) e publicada nesta quinta-feira.

O caso do padre Centioni foi descoberto e investigado pela fundação Pave the Way (http://www.ptwf.org/), criada pelo judeu nova-iorquino Gary Krupp.

Os relatos de Centioni são corroborados pela condecoração a ele concedida pelo governo polaco (“a cruz de ouro com duas espadas”, “pela nossa e pela vossa liberdade”).

O sacerdote citou outras expressões de gratidão por parte de algumas das pessoas que ajudou: os senhores Zoe e Andrea Maroni, os professores Melchiorre Gioia e Aroldo Di Tivoli, e as famílias Tagliacozzo e Ghiron, cujos filhos puderam se salvar, alcançando os EUA, com passaportes e recursos disponibilizados pelo Vaticano.

A entrevista pode ser assistida no site: http://www.h2onews.org/.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Destacado judeu rende homengem a João XXIII

Depois de muitas críticas já se terem ouvido por alegado silêncio da Igreja Católica em relação ao sofrimento do povo judeu no século XX, impõe-se-nos que atendamos à opinião de um digno representante desse povo irmão. Para o efeito, transcrevo na íntegra o artigo publicado pela ZENIT no primeiro dia deste ano de 2010. Vale a pena repensar a forma como aceitamos ideias veiculadas pela maledicência que quase sempre procura encobrir-se com a capa da seriedade.

ZP10010103 - 01-01-2010Permalink: http://www.zenit.org/article-23687?l=portuguese

Homenagem de um candidato ao Nobel da Paz, judeu, a João XXIII

Baruj Tenembaum, um “descendente de escravos”

ROMA, sexta-feira, 1 de janeiro de 2010 (
ZENIT.org).

Entre os primeiros candidatos ao prêmio Nobel da Paz, atribuído este ano ao presidente Barak Obama, encontrava-se Baruj Tenembaum, criador da Fundação Internacional Raoul Wallenberg.

ZENIT perguntou a Tenembaum, judeu de origem argentina, pioneiro do diálogo inter-religioso deste os tempos de Paulo VI, por que, segundo ele, tanto interesse por sua figura e obra.

“Quem sou eu?”, pergunta-se com simplicidade Tenembaum. “Não me referirei concretamente ao sucedido pois não me considero tão importante”.

“Concretamente, sou descendente de escravos, daqueles judeus que trabalharam no Egipto sob o jugo dos faraós, e que foram libertados por Moisés.”


“Sou tão judeu como os que foram expulsos de Jerusalém quando se destruiu o Primeiro Templo, e logo o Segundo”, segue explicando.

“Tão judeu como meus irmãos que foram expulsos de Portugal e da Espanha”, “como os que foram perseguidos na Europa”, “como aqueles seis milhões aniquilados pelos Hitlers, no plural”.

“Sou um simples filho de colonos que dedica sua vida a agradecer aqueles seres humanos que salvaram vidas, que se arriscaram. Os Wallenberg, Souza Dantas, Sousa Mendes, mais de 20.000 gentios, não judeus, a quem devemos gratidão, recordação, a educação a nossos descendentes.”

Deste modo, confessa, pôde descobrir nos arquivos o alcance da figura de Angelo Roncalli (João XXIII), que durante a Segunda Guerra Mundial, sendo representante diplomático de Pio XII em vários países, realizou uma corajosa obra de ajuda a judeus perseguidos.

“Não podemos deixar de nos emocionar com lágrimas que escapam dos olhos quando nos inteiramos das acções que esse filho do povo italiano, simples, humilde, grande, executou em circunstâncias totalmente adversas para salvar, por exemplo, crianças expostas à sombra do inferno; rompendo, destruindo preconceitos, indo além do que supõem ou indicam as regras.”

“A cada momento imaginamos Roncalli rezando, também na presença de terceiros, pedindo a seu chofer que se detenha em frente à sinagoga de Roma para rezar ‘por meus irmãos judeus’”, explica Tenembaum.

“Ou quando recebeu no Vaticano um delegação de judeus, levantou seus braços e exclamou desde a cadeira papal, citando a Bíblia: ‘Sou José, vosso irmão’”.

“Então, novamente: quem sou eu? O que sobrevive, o que fica; o importante, o nobre é destacar o que ‘sobre-vive’, por exemplo: Angelo Roncalli”.

domingo, 20 de setembro de 2009

La influencia de los media en la sociedad de consumo

Los media, con particular destaque para la televisión, son los gran responsables por la democratización de los gustos, así como de la propia cultura, por que dan la posibilidad de escoger aquello que de entre las muchas posibilidades planteadas a cada uno le guste. Y esto es válido no solo en el dominio económico y cultural, pero en muchos otros. Sin embargo, a par de la democratización, la televisión trae algunos e serios peligros.

Muy lejos de su tan gran impacto social estaría el creador de este medio, que es hoy el medio de información por excelencia. La origen de la televisión se debe a John Logie Baird, el primer hombre a construir el primer sistema de transmisión de imágenes, aun que haya sido por medios mecánicos. Pero como en todas las invenciones, su desarrollo ha pasado por otros nombres, como Isaac Schoenberg, que presento un sistema electrónico.

El servicio de televisión, se ha extendido por varios países. De Inglaterra ha llegado a los Estados Unidos, ahonde fue visto por primera vez en la Feria de Nueva York, en 1939, y en meados de los años 40, ya existían 25 estaciones de televisión en aquel país. Extendiéndose a otros países, en la década de 50 aquél servicio era en imagen monocromática, aun que Baird haya ya mostrado la tele con imágenes coloridas en 1928.

En Portugal se ha podido ver por primera vez la televisión, en el año de 1957. Desde entonces hasta ahora, el acceso a este medio tecnológico se ha expandido tanto, que se cree no haber familia alguna que no lo tenga. Su evolución tecnológica fue tal, que hoy se puede coger la emisión en cualquier parte del mundo, al disponerse del satélite y de la internet.

La televisión, es hoy uno de los medios que más poder tiene sobre las personas. Por ella pasa, incluso, la creación de nuevos estereotipos sociales, fenómeno que mucho esta a preocupar los responsables por el sano crecimiento de los niños y hasta de la propia juventud. Sin embargo, no deja de constituir el talón de Aquiles para los regímenes que se distancian de la democracia, siendo por eso, un importante medio o fuerza con la cual tienen que enfrentarse todos cuantos pueden ser noticia por malos ejemplos.

Hay que decir, por último, que la televisión está hoy para las personas más permeables, como está un eficaz y fuerte medicamento para alguien desproveído de cualquier responsabilidad cuanto a la importancia en saber tomarlo. Por eso, lo que se me plantea como más razonable, y para desarrollar las herramientas necesarias a un sano convivio con este medio de tan gran importancia, es el ejercicio de la autoridad de un organismo que esté atento a los contenidos de su programación, por más que cueste admitirlo. Y lógicamente que, ese organismo habría que ser formado por personas independientes de la administración pública, por personas reconocidamente integras y con responsabilidades en la educación, personas que, en cuanto padres, tienen la clara conciencia de los contenidos que reprocharían para sus hijos.

Mientras esto no ocurra, quedan los educadores completamente desamparados hacia el poder que la televisión tiene sobre los niños e sobre los jóvenes, sin hablar en muchos casos de personas mayores, una vez que me parece una tarea verdaderamente hercúlea, el eficaz control que habría que tener tanto sobre el cabal conocimiento del mensaje de los programas, como del tiempo disponible delante de la pantalla.

El poder que la televisión puede ejercer sobre las personas es muy grande, toda la gente lo sabrá. En my niñez y principalmente más tarde en la juventud, yo veía como la televisión condicionaba mis ocupaciones o juegos de entretenimiento, quedándome pegado a las series que más me gustaban, que eran las de espionaje e de vaqueros. Así, como que pregunto: ¿Están tan ciegas las personas, que no ven que el Mal ha tomado cuenta de lo que más se hace pasar en la televisión? ¿Cómo no habremos de ver nosotros nuestra juventud, y mismo aun niños, en tan impensables (para tiempos no tan lejos así) formas con que se presentan por la calle, si hasta los padres aceptan como normal las series en las cuales solo se ve aquello que más no tiene si no el estimular el deseo de la práctica sexual?

Es tan verdad que es el Mal, el autentico y eterno Enemigo del hombre, que esta por detrás de todo esto, que se asiste a una hipócrita y fingida preocupación por parte de los gobiernos con relación a esta cuestión. Aun así, hay mucha gente que alaba las falsas preocupaciones de los gobiernos, y con el tiempo, porque también se presenta como socialmente correcto, hacen su adhesión a tan “nobles” causas.

Como toda la persona que ahorra para enfrentar la posibilidad que pueda venir a tener más tarde de echar mano de eses ahorros, también todos nosotros nos deberíamos preocupar más con el futuro de nuestros hijos y con la sociedad. No lo haciendo, por pereza o porque estamos siendo demasiado flojos, estamos ya a hipotecar el futuro de la propia sociedad, razón válida tanto para esta como para otras importantes cuestiones sociales. Y es tan más necesario la intervención de todos nosotros, cuanto más grandes son los poderes de los órganos que están influenciando la sociedad.

Los datos bibliograficos han sido cojidos in, Personajens da História, Círculo de Leitores, p.118

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A solução para a crise mundial

Cingindo-me apenas à vertente económica da crise que se instalou, os governos das várias nações só não a solucionam porque não querem, talvez por que lhes falta a honestidade necessária. Valendo-me de um trabalho feito num outro contexto, que tinha como tema a Declaração Universal dos Direitos do Homem e no qual ensaiei adicionar mais um Artigo a essa magna carta, apresento aquilo que poderia ser o tronco das medidas a implementar para solucionar a actual crise: 
 1. A bem da equidade na distribuição da riqueza criada, nenhum trabalhador por conta de outrem, seja do sector público ou privado, pode auferir um salário líquido superior a 60% do vencimento do Chefe de Estado (em Portugal é € 7.630,33), assim como ninguém pode auferir um salário inferior a 12% desse valor (que corresponde a € 915,00). 
2.Os salários dos membros do Governo, à excepção do Primeiro Ministro, que pode chegar até aos € 7.500,00, poderão chegar aos 80% do salário do Chefe de Estado (em Portugal seria € 6.104,00), quando nesse valor estiverem incluídas todas as regalias de que possam gozar seus familiares. 
3. A regalia de ter carro e motorista pagos pelo Estado, só ao Chefe de Estado, Ministros e Secretários de Estado, é devida. 
4. Todo o titular de riqueza resultante de qualquer actividade económica, ficará isento de impostos até ao montante equivalente ao salário do Chefe de Estado, a partir desse valor, ser-lhe há tributado o imposto de 60%. 
5. O Estado assegurará as necessárias condições para tornar possível o pagamento integral do valor pedido às instituições bancárias para compra de casa, num período que não pode ultrapassar os 10 anos e em mensalidades que não podem ir além de 20% do salário do comprador. 
6. A administração pública não pode promover, nem mesmo contribuir, directa ou indirectamente, qualquer festividade que represente despesa, por pequena que seja, nem os titulares de cargos públicos e de empresas participadas pelo Estado poderão ser reconduzidos nos cargos, enquanto em seu território houver uma pessoa que não beneficie de todos os direitos consignados na Declaração Universal dos Direitos do Homem. 
A implementação destas medidas, obviamente que não poderiam aplicar-se apenas num país, dado o desequilíbrio que originaria a vários níveis com os restantes países, mas já poderiam ser assumidas por um importante conjunto de países como a União Europeia, com vista à sua aplicação no seio das Nações Unidas. Imagine-se a radical transformação que não sofreria o mundo. Deixaríamos de assistir ao fenómeno da emigração, da imigração e mesmo da migração em grande escala, uma vez que não mais haveria necessidade de cada um deixar as suas terras para tentar escapar à miséria. Pode ser que um dia o povo veja de uma vez por todas que os políticos devem trabalhar se quiserem sobreviver. Esse sinal já foi dado nesta mesma noite em que escrevo estas linhas, ao constatar-se que a maioria dos eleitores portugueses não querem os políticos, ao não se terem dado ao trabalho de votarem para as Europeias. No que diz respeito à velhinha Pátria, penso que algumas famílias políticas têm feito com ela o que faria aquele imoral filho que obrigasse a própria mãe a prostituir-se. É de lamentar que se super-valorize o que é estrangeiro e a auto-estima nacional ande “pelas ruas da amargura”, havendo quem pareça envergonhar-se da Alma Pátria, como se, para curar os seus traumas fosse necessário repudiar o grande património que é constituído pelos Valores que mais contribuem para a nossa identidade. Fosse possível enviar para fora das nossas fronteiras todos quantos parecem ter uma fixação pela “alma” europeísta, e eliminar-se-iam os obstáculos à edificação dos nossos Valores, e assim deixava Portugal de ser tratado como filho bastardo; de ser visto unicamente como o espaço de engorda para os “abutres”; onde o conceito de liberdade permite fazer tudo, ainda que para tal se tenha que recorrer às mais elaboradas artimanhas e se use do cargo para legislar com vista no próprio umbigo (como já vimos com todos os partidos); ao apregoar bem alto e repetidamente o erro com vista a torná-lo norma aceite, enfim, a um sem número de coisas que me deixam a ideia de que anda por aí gente apostada em afundar Portugal.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A hipocrisia da crise

Infelizmente, parece que até já nem há espaço para falarmos de outras coisas senão da crise. E sobre ela, ocorre-me partilhar com o leitor duas questões, ou pensamentos:

Onde, ou por quem é criada a crise e, quem é responsável por que ela se mantenha?

Resposta à primeira questão:

A crise económica nasce, desenvolve-se e amadurece, no coração dos soberbos, acabando por se instalar na sociedade por via dessa malévola influência que neles se gerou. E como tendencialmente são os soberbos que atingem os lugares cimeiros do poder, depois de, obviamente, nada se importarem de quantos têm que pisar, nem do número de falcatruas para o alcançarem, o nefasto impacto de tudo quanto fazem, vai aumentando à medida que a engrenagem do sistema económico-social mais deles vai dependendo.

Quanto à responsabilidade por que ela se mantenha, já não é apenas de uns, mas, diria mesmo, de todos, ainda que uns mais responsáveis do que outros. Fugiria à verdade se não dissesse que, em meu entender, são os governos o maiores responsáveis por qualquer crise, se não, vejamos:

As políticas do Governo Comunitário para a actividade económica que agora representa cerca de 6% do PIB, a agricultura e outros sectores sucedâneos, impuseram medidas tão escandalosas, que acabaram por estrangular a actividade dos pequenos e médios agricultores. Por outro lado, para os grandes grupos económicos como a indústria petrolífera, a banca, telecomunicações, e outros grandes operadores, cotados ou não em bolsa, nenhum governo se atreveu a impor quotas para os lucros que chegaram em alguns casos aos milhares de milhões de lucro anual, como a EDP, que há algumas semanas declarou que teve mil milhões de lucro no ano passado. Se fossem impostos limites de riqueza válidos tanto para cada cidadão individualmente, como para as empresas, rapidamente deixaria de haver miséria, medidas que teriam que ser acompanhadas da obrigatoriedade de toda a gente ter que trabalhar.

Por que razão os governos nunca pensaram nisto? Creio que é demasiado óbvio perceber que, de facto, tais medidas nunca poderão ser tomadas. Senão, como poderiam os necrófagos sociais alimentarem a sua cada vez mais insaciável ganância?

Não temos todos, sobejo conhecimento de leis que parecem mesmo feitas à medida do “freguês que se segue”, que aparentam algumas reclamadas alterações, mas que não passam de alguns acertos que só garantem a manutenção do sistema, tendo em vista os altos cargos que passarão a ocupar depois de deixarem as funções governamentais?

E não vamos também sabendo da criação de empresas autárquicas e institutos públicos, cuja existência se justifica para garantir os altos vencimentos a muitos compadres que não podem trabalhar por nada saberem fazer?

Não vamos nós sabendo que há presidentes de assembleias gerais de empresas que recebem mil contos por estarem presentes numa reunião, como é o caso, há dias noticiado, da BRISA a pagar a António Vitorino?

Alargando o campo de análise, porque dos corações soberbos comecei a falar e estes não têm nacionalidade, não vimos o escândalo de uma empresa ou grupo financeiro nos EUA que recebeu do Estado 185 mil milhões de dólares para não se afundar, e 175 mil milhões foram distribuídos em prémios aos seus administradores? Então não é de erguer uma estátua àqueles administradores, por terem conseguido na empresa um trabalho tão meritório que mereceram como prémio, vários milhões de dólares cada um?

E então o Presidente da Câmara de Oeiras, que disse em julgamento que não tinha consciência que constituía uma fuga ao fisco, o facto de “despachar” (o termo é meu) mais de um milhão, trezentos e vinte e um mil euros, para um banco suíço, não declarando tal valor ao fisco nem ao Tribunal Constitucional? Vejam só, que eu até cheguei a duvidar da seriedade do homem e, afinal, não passou de um acto ingénuo de pessoa simples…

Muito mais poderia dizer sobre as principais razões da crise que está a afectar a economia mundial, mas fico-me por aqui, certo de que terei dado as pistas necessárias para que o leitor possa entender o que eu penso quanto aos principais responsáveis. Mas não queria terminar sem aludir, a par dos milionários vencimentos e equiparadas indemnizações e pensões de reforma de tantos desavergonhados e corruptos, a esse outro escandaloso sorvedouro de riqueza, que é constituído pelos meninos de ouro que são os jogadores de futebol, aos quais deveria também ser imposto um montante máximo, e para haver alguma justiça, esse teto teria que estar de acordo com aquilo que na opinião dos pobres seria aceitável.

Dizer que tudo isto é um escândalo, é ser exageradamente brando, quando na verdade estamos diante do mais hediondo crime económico-social contra milhões de seres humanos que só nesta pomposamente dita União Europeia vivem entre a subsistência e a miséria, já para não falar de outras partes do mundo, onde existe um número bem maior de vítimas dos criminosos soberbos que tudo dominam.

Concluo, certo de que poderei estar a ser exagerado ao admitir que há corruptos neste país, uma vez que a justiça nada provou ainda, a não ser um caso também há dias noticiado de dois elementos da GNR que se corromperam por 25 euros, cabendo-lhes em julgamento uma pena de dois anos de prisão. Afinal, ainda há alguns corruptos, assim como há justiça para eles! Só espero que ainda se venha a conseguir justiça também para os que "não são" corruptos, aqueles que o povo designa de “os grandes”, e que são apenas, coitados, malabaristas da política e da finança.

quinta-feira, 19 de março de 2009

A Nova Era e a Nova Ordem Mundial

A origem da "Nova Era" (New Age, em inglês), está ligada ao nome de Helena Petrovna Blavatsky, nascida na Rússia em 1851, naturalizada norte-americana em 1874 e falecida em1891. Nas suas viagens conheceu as doutrinas místicas do Oriente. Era médium espírita, e por dez anos esteve sob o domínio de um espírito demoníaco que ela denominava de "mestre cósmico" ou "espírito cósmico."

Helena P. Blavatsky, é considerada a fundadora do movimento, mas, segundo ela, o plano da criação do movimento não partiu dela, mas sim de seus "mestres cósmicos", ao ter sido "encarnada" por um espírito (da parte do Satanás). Após 21 dias de êxtase, recolhida dentro de um salão espírita, ela recebeu todas as directrizes do plano que mais tarde iria ser chamado de "Movimento da Nova Era."

Em consequência, no ano de 1875, na cidade de Nova Iorque, foi fundada a Sociedade Teosófica, dentro da qual se cultivou o Movimento da Nova Era, o qual deveria ser guardado em segredo durante cem anos, segundo os "espíritos cósmicos".

O Teosofismo apresentado por Helena é uma doutrina secreta. Afirma que é possível reinterpretar o cristianismo mediante uma chave espiritual que foi perdida pelas igrejas Cristãs, mas encontrada por ele. Dizem que o próprio Jesus teria sido esotérico, teria aprendido com os essénios e transmitido os ensinamentos a seus discípulos predilectos.

Após a morte de Helena, sua sucessora foi Annie Béssant. Ela fomentou a expectativa da vinda de um novo messias. Para isto, preparou um jovem hindu, dando-lhe formação em todos os sentidos. Quando porém, estava para apresentá-lo ao mundo como "Messias", o pai do jovem denunciou publicamente a farsa. Enquanto isso, o jovem encantado com os prazeres da vida nova-iorquina resolve desistir e abandonar seu falso papel.

A terceira presidente da Sociedade Teosófica foi a inglesa Alice Bailey (× 1880 a † 1949) que tendo imigrado para os Estados Unidos ficou sendo reconhecida como suma-sacerdotiza da Nova Era. Dizia receber mensagens de um "Mestre da sabedoria" que havia vivido no Tibete. Estas mensagens psicografadas foram publicadas em numerosos livros como doutrina secreta do "Plano". Para dar início ao estabelecimento da "Nova Ordem Mundial" o plano tem como primeiras linhas orientadoras a natureza (ecologia) e a sociedade, entre a economia e a ciência. Tudo deve transformar-se para uma grande "unidade plena", total. "Deus e o mundo, o espírito e a matéria, o homem e a natureza, o corpo e alma, o eu o tu, tudo deverá tornar-se uma grande unidade animada de espírito".

Para melhor entendermos o que está veradeiramente por detrás desta tão grande crise de valores, neste tempo em que tudo é relativo e se aceitam e vivem ideias contrárias à matriz religiosa e cultural de cada um, importa que recuemos um pouco no tempo, antes de Helena Petrovna Blavatsky, para ficarmos também com uma ideia das ocultas razões que se escondem por detrás da crise económica mundial.

Politicamente falando, em 1750, Anxel Moses Bowel, um judeu-alemão ouvires, teve um filho chamado Mayer Houtyuti que se tornou banqueiro. Anxel enviou 5 dos seus filhos para as principais cidades européias com o objetivo de criar bancos e dominar toda a economia.
Em 1773, Mayer associou-se a 12 homens poderosos e formou o clube dos 13. Chamaram um sacerdote satânico, chamado Adam Wishop, que elaborou um plano em 1776 com um símbolo de uma pirâmide com 13 degraus e um olho dentro que representava satanás vendo tudo. A nota de dólar tem esse símbolo e uma data em numeração romana que é 1776. Coincidência?

Nos finais do século XIX, o “Grande Comandante da Maçonaria” Norte-americana, Albert Pike, viria a ser um dos arquitetos da Nova Ordem Mundial, pelo que, não se pode falar do actual estado das sociedades sem considrarmos os seus maiores responsáveis, que é a maçonaria, ingrediente da mesma sopa cozinhada pelo próprio Satanás.


A Nova Era como religião

Como o anúncio do Plano da Nova Ordem Mundial, também deveria ser apresentado o "Cristo da Nova Era" que vai fundar ou já fundou a nova religião mundial. Na Alemanha ele foi anunciado em 1982. Revistas e jornais trouxeram páginas inteiras dizendo: "Cristo agora está entre nós. Ele não vem para nos julgar, mas para ajudar a humanidade e inspirá-la. Ele é Maitreya, o "educador" da nova geração humana". Vive num lugar desconhecido; somente alguns dos discípulos mais próximos sabem onde ele se encontra. Seu precursor é o escocês chamado Benjamim Creme. O centro de planeamento quando o movimento ainda estava oculto em Nova Iorque, era o "Lucis Trust" (Editora Lúcifer), hoje o movimento conta com uma rede de editoras no país.

Dentro do seu plano de pseudo religião, a Nova Era possui leis, mandamentos, "escrituras sagradas", orações, etc... Possui também sacerdotes e profetas com forças "sobrenaturais" e até mesmo um novo messias, capazes de realizar grandes sinais e operar maravilhas.

Ensinam que o homem é deus e criou Deus conforme sua própria imagem. Portanto, o Deus que os cristãos adoram seria criação do próprio homem. Por isso, consideram o homem como parte da divindade, da consciência cósmica e da "força". Cada pessoa precisa apenas descobrir e desenvolver a sua divindade. Para isso há numerosos cursos especiais, como por exemplo: "Pró-Vida", Integração Cósmica" e outros.

Tudo isso nos diz, em última análise, que para os adeptos da Nova Era o caminho de vida dos homens e mulheres nada mais é do que a divinização do ser. Afirmam também que todo o homem pode ser absorvido completamente pelo espírito do deus da "força" ou do "poder". Isto porque Deus não é pessoa, mas uma energia, consciência cósmica universal. Cada pessoa é um universo, conhece tudo.

Acreditam que esta força neutra considerada como Deus, possa ser manipulada para o bem ou para o mal. E, por isso, há grande interesse em aprender as práticas pelas quais poderão realizar tal manipulação. E, isto aprendem, dizem eles, através do pensamento positivo, exercitando meditação transcendental, ioga, etc... Assim pretendem responder ao vazio deixado pelo materialismo.

Numa meditação chamada "Meditação da cura do mundo", dizem: "No princípio Deus criou os céus e a terra... Agora chegou o tempo do novo princípio. A humanidade volta à sua filiação divina, ao ser divino... Que possibilidades se estão abrindo para os homens... Que maravilhas estarmos unidos mundialmente, irradiando luz, amor, pensamento de paz para o mundo, para cada pessoa, para tudo o que existe em Deus".


A Nova Era admite a rencarnação

A doutrina da Nova era nega que a morte seja definitiva. O homem não morre definitivamente, mas renasce em novos ciclos de vida. Ensina também que o homem pode salvar-se a si mesmo, pode chegar a ser Deus. Também não há redenção por Jesus Cristo porque o homem redime-se a si mesmo.


A Nova Era é um perigo

Ela gera confusão. Muitos acham que ela não é um movimento estruturado, mas um alimento espiritual, um caminho para a evolução espiritual do homem, uma passagem ou transição de uma realidade mundial a outra. São várias opiniões, mas se reflectirmos sobre o conteúdo mais profundo deste movimento vamos descobrir que ele não é tão religioso e tão "inocente" como muitos pensam e dizem. Nele há muita coisa oculta, secreta, como oculto procura sempre ser o seu verdadeiro fundador, o Inimigo.

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Fontes:
http://www.geocities.com/athens/parthenon/5132/newage.html

http://www.igrejaimdv.com/diversos.php?id=14&Tp=2

http://www.exsurgedomini.xpg.com.br/apologeticas/nova%20era/textosnovaera/simbolosdanovaera.htm, que por sua vez tem as seguintes referências bliográficas:

Extraído do Livro: Guerra Espiritual, do Pe. George W. Kosicki.
Revista,"Cavaleiro da Imaculada" Nº 9 de Setembro de 1993; Nº 10 de Outubro de 1993 e Nº 12 de Dezembro de 1993.


Revista, "Jesus vive e é o Senhor" Nº 180, de Julho de 1993. (Traduções de matérias publicadas nas revista alemãs: "BASIS" de Outubro de 1987 e "Werk der Kleinem Seelen" de Agosto de 1988. E, do Jornal "Bonifatiusbote" da diocese de Limburgo, Rottenburg em Stuttgart dos anos de 1987 e 1988).

sábado, 14 de março de 2009

A oração de uma criança

Era Quinta-feira, 17 de Julho, um dia como tantos outros, mas diferente para o Victor Manuel, que, num grave acidente de trabalho, originado por uma queda de nove metros de altura, passou à ténue fronteira que se situa entre a vida e a morte.

Do trágico acidente, resultaram-lhe fracturas graves na bacia, clavícula esquerda e toda a parte dorsal do mesmo lado, com fracturas em quase todas as costelas.

Na mesa de operações, depois de diagnosticados traumatismos em vários órgãos, como o sistema hepático, foi-lhe retirado o baço. Mas porque o seu estado era demasiado crítico, os médicos nada mais puderam fazer para além de procurarem retardar-lhe a morte, ligando-o às máquinas que permitem manter o estado de coma por tempo indeterminado.

À mãe, procuraram poupá-la do prognóstico, mas para uma irmã que o acompanhava mais de perto, foram peremptórios, dizendo-lhe que se preparasse para aquilo que só um milagre poderia evitar, e que fosse preparando a família.

A Inês, sobrinha do malogrado Victor, que tinha acabado de completar sete anos, tendo visto o tio naquele estado, foi sujeita a uma experiência que a levaria a estar na base dos acontecimentos que se seguiram.

Num povoado da Ericeira, onde a criança de expressivos olhos azuis passou a morar, houve no final de Agosto a procissão da Sagrada Família, na qual quis participar de princípio ao fim, o que constituiu algum sacrifício para a bisavó paterna, que teve que a acompanhar em todo o relativamente longo percurso.

Terminado o religioso cortejo e já no interior da igreja, saiu do lugar onde estava e, dirigindo-se lá à frente – não sei se aos pés do andor ou do altar de Nossa Senhora –, recolheu-se em oração.

Apreciando tão piedosa atitude, a bisavó, ao vê-la regressar ainda de mãos postas em gesto de oração, fez-lhe uma pergunta, cuja resposta foi tão simples quanto seria de esperar de uma criança: «Estive a pedir ao Jesus que tirasse o meu tio daquelas máquinas, porque eu não quero que ele esteja assim».

Entretanto, no hospital, o estado do Victor tinha-se agravado, facto que levou os médicos a decidirem fazerem-lhe uma traqueotomia, ou seja, abrirem-lhe um buraco na traqueia, impedindo assim que a morte lhe adviesse por asfixia.

Quando aquele dia de Domingo chegava ao fim (o dia da procissão), deixava ao mesmo tempo de haver necessidade daquela derradeira intervenção, que era apenas uma última tentativa para retardar um pouco mais o que há muito era esperado, deixando também de haver necessidade de as máquinas continuarem ligadas, e acabaram por desligá-las.

Chegada a hora da visita no dia seguinte, a angustiada mãe, ao dirigir-se à cama do filho, recebeu o choque de ver a cama vazia…

Dirigiu-se ao telefone e ligou à filha a dar-lhe a notícia. Foi então que esta lhe deu conta do que no dia anterior se tinha passado com a pequena Inês e, ligando as coisas, apenas se limitou a constatar a irrefutável verdade, uma vez que, antes da procissão, seu irmão tinha piorado, quando se encontrava em coma, e depois dela, não só retrocedeu na caminhada para a morte que estaria eminente, como, pelo seu próprio pé – ainda que ajudado – saiu da cama, deixando todos aqueles tubos e passou a um sofá onde a mãe o foi encontrar bem refastelado.

Pouco mais de quinze dias depois, também eu fiquei surpreendido ao vê-lo na rua a sair do autocarro, ao regressar de uma consulta no hospital.

A Inês, que tinha manifestado aos pais vontade nesse sentido, anda agora na catequese, e o Victor Manuel, que tem cinquenta anos, é agora catecúmeno, uma vez que se está a preparar para o Baptismo.

Para terminar bem, poderia nada mais escrever, mas há apenas um pormenor que julgo não poder dissociar de toda esta história, que é o facto de, nestes últimos anos, também ele, deslocando-se à Ericeira, ter participado naquela procissão com devoção.

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DE ARAÚJO DOS SANTOS, José Augusto, A oração de uma criança, In Notícias de Chaves, Nº 2448 (05-12-97), p.2

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

«Quem tem ouvidos, oiça!»

Um dos clientes do café da D. Maria, sempre que é interpelado por alguém dos presentes e o momento é favorável, aproveita para ir esclarecendo os seus interlocutores quanto às questões da fé ou da religião.

Aproximando-se o início de mais um ano catequético, procurou ele interessar-se que a Anaísa e o Mário, netos da D. Maria, passassem a frequentar a catequese, e quando já esta tinha começado havia algumas semanas e eles continuavam sem a frequentar, estando os dois para iniciar esse itinerário, empenhou-se nesse sentido. Havia porém uma questão importante a considerar quanto ao Mário, sendo a dedicada avó aconselhada a apresentar pessoalmente essa questão ao Pároco.

Quando foi à igreja, acompanhada pela D. Rosa, que muito viria a admirar-se pela mudança que nela constatou, foi recebida pelo seu cliente, que ali é catequista, apresentando-a ao Pároco, por também ele ter sido aconselhado nesse sentido.

Depois disso, quando o catequista voltou a estar no café, a D. Maria não sabia como manifestar tanto agrado. Havia muitos anos que se mantinha afastada da Igreja, e este contacto, mais pela forma como foi acolhida pelo Pároco, deixou nela o espaço aberto ao regresso, tanto que disse que passaria a ir à Missa todos os Domingos, coisa que até então dizia não poder por causa do café…

Alguns dias antes, a Anaísa e o Mário tiveram mais um mano. Para a extremosa avó, já esse facto fora uma grande bênção, o que também deve ter contribuído para o resultado do bem-estar interior alcançado com a ida à igreja.

Dois ou três dias depois, viajavam felizes os dois pequenos catequizandos com os avós e, quando, na A-15, um condutor entendeu deixar a faixa mais à direita no momento em que outro veículo estava a passar por ele, deu-se o acidente.

Mobilizados os meios necessários para o local, quando o condutor do reboque chegou, perguntou aos agentes da autoridade se a ambulância já tinha levado os mortos, não porque tivesse conhecimento do tipo de vítimas que resultaram do acidente, mas pelo que deduziu depois de verificar em que estado ficou o carro em que seguiam aquelas crianças e seus avós.

Foi um estranho acidente, como estranho foi o seu resultado. A avó dos meninos, que era quem conduzia, depois de muitos anos a falar mal dos padres, até ia a cantarolar, coisa que os netos nunca tinham ouvido, e cantava um cântico a Nossa Senhora…

Mesmo ficando o café a duas ou três centenas de metros da igreja, nunca a D. Maria lá tinha entrado, e como dissera ao cliente, mal transpôs a porta da entrada, gostou muito do que viu, pois, sendo uma igreja nova, estava muito ao seu gosto. Tudo a impressionou muito positivamente, até o simples gesto do catequista, o de ajoelhar quando passava diante do sacrário…

Algum tempo antes do acidente, ainda antes de o bebé ter nascido, o cliente foi mais uma vez catequista e a D. Maria a única destinatária dessa catequese, que teve como tema os Anjos-da-guarda e a sua solícita e amorosa missão.

Porque não valerá a pena continuar com qualquer consideração, remeto o leitor para as palavras com que Jesus encerrou vários dos seus ensinamentos: «Quem tem ouvidos, oiça!» Sim, porque os mortos a que se referia o condutor do reboque, não existiram naquele acidente, do qual todos saíram sem um único arranhão…

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Voou nas asas do cuco para fora do tempo

Há cerca de quatro ou cinco anos, estive no fim-de-semana da Páscoa na minha cada vez mais saudosa aldeia, o que não acontecia talvez há uns vinte anos. Sugado que fui pela vida urbana das grandes cidades como Lisboa, a minha terra, não contando com as saudades, pouco mais passou a representar do que uns escassos dias lá passados em cada ano.

Mesmo absorvidos pela azáfama característica da vida moderna nos grandes meios urbanos, os meus filhos, sempre ávidos das histórias que fizeram parte da minha infância e juventude, lá foram obtendo do pai o contar dessas histórias, despertando em mim tantas vezes aquela nostalgia que sempre se apodera de quem deixou para trás lugares, coisas, pessoas e mesmo animais que recorda com grande saudade.

Submergindo nesse oceano de saudosas recordações, acabo por sentir quão grande foi a minha sorte em ter nascido e crescido na aldeia. Belas e saudosas são as recordações da primavera, que rompia jubilosa em louvor ao Criador. Era o tempo em que eu via muitas das árvores de fruto prepararem-se para o banquete que chegava pelo verão, ao se vestirem de noivas, cada espécie engalanando-se mais do que a outra. Aos campos e outeiros, a Primavera trazia cores exuberantes, variadíssimos perfumes e alegres sonoridades, fossem elas da fauna natural ou do balir do cordeirinho de um rebanho que andase por perto. Numa verdadeira profusão de vida, ela vinha favorecer o homem e todos os demais seres vivos. Era a festa da natureza, que contagiava toda a criação.

Para a abertura oficial desta festa, todos os anos chegavam cantores de longínquas paragens. Tão grande era o acontecimento, que, com o Cuco e a Bubela como solistas, havia festa todos os dias. Os primeiros concertos destas duas aves, eram sempre saudados com grande alegria. Só as andorinhas podiam com elas rivalizar, com seus mais elaborados espectáculos que iam da dança em seus velozes e acrobáticos voos, ao grande coral com seu melódico e alegre chilrear.

Por vezes, o dever do bem cumprir com aquilo que me tinha sido determinado ficava por momentos esquecido, quando o Cuco ou a Bubela montavam o seu palco próximo, ficando eu atento ao seu canto, pelo qual tentavam contar-me as aventuras vividas por longínquas paragens de onde chegavam, mas não vivi na aldeia o tempo suficiente para com eles mais aprender...

Crescendo ao ritmo do pulsar da natureza e perscrutando a harmonia nela existente, mais fácil se tornou para mim assimilar os ensinamentos que dela retirava, ao mesmo tempo que era conduzido pelo sempre atento e afável saber de meus pais. A educação que meus irmãos e eu deles recebemos, foi positivamente severa no tocante à forma como deveríamos respeitar os demais. Dessa educação resultaria em nós uma especial atenção no trato que deveríamos ter com aqueles que por alguma razão pudessem ser desfavorecidos, fosse a nível cognitivo, mental, ou mesmo físico, e como aprendizes da vida em sociedade, até da natureza pudemos retirar o ensinamento das diferenças existentes numa mesma espécie. E se em toda a criação o homem é a obra-prima, para quem, como eu, sempre se sentiu enamorado pela diversidade que compõe toda a beleza da Criação, muito maior é o dever de compreensão e respeito para com todos os seres humanos que possam ser diferentes.

Se o contacto com as pessoas da terra era escasso pelas curtas visitas que fazia em cada ano, a partir do momento que passei a fazer as deslocações em transporte próprio, ficou muitíssimo mais reduzido esse contacto, o que levaria a recordar-me desta ou daquela pessoa apenas quando em conversa o seu nome era referido e, por sua vez, outras ficariam bem mais distantes no espaço da recordação. Assim aconteceu que, na visita que refiro ao início, cheguei mesmo a admitir que depois de tantos anos sem os ver nem neles se falar, algum dos irmãos por quem perguntei já tivesse falecido. Espantou-me a resposta que obtive. O “Tonho” e o Zé, que havia vários anos que tinham deixado a aldeia para irem para uma casa de repouso para os lados de Vila Real, estavam então na Casa de Santa Marta, em Chaves.

Estes dois irmãos eram um pouco desfavorecidos pela natureza, facto que lhes acarretou uma carga ainda bem maior, que era a zombaria de que muitas vezes eram alvo, principalmente por parte da garotada, mas também por outros de maior idade. Quão triste eu ficava muitas vezes, ao ver o Zé exasperado pelas diabruras que lhe faziam, em atitudes que para mim sempre estiveram mais próximas da crueldade do que da má educação. Para além de terem sido meus vizinhos, terão sido também estes factores que me levariam a sentir-me fortemente impelido a visitá-los, visita que fizemos os cinco, contando com a minha sogra que nos acompanhou.

O “Tonho”, disfrutava da belíssima tarde soalheira no jardim, antes de um outro senhor a quem por eles perguntámos o ir chamar. Com uma memória aparentemente bem melhor do que a minha, recebeu-me como se apenas alguns meses tivessem passado desde que nos encontrámos pela última vez. Aquele estado emocional a que pode chegar-se quando se encontram a alegre expectativa, o bem-querer e outros bons sentimentos, apoderou-se de mim e, sendo mais forte do que eu, fez-me ceder à emoção. Enquanto éramos conduzidos até à sala de um andar superior onde se encontrava o Zé, viu-se a amável Irmã que nos acompanhava na necessidade de me dizer que o visitado não devia ver-me assim, e eu, tentei explicar-lhe o que nem sempre é explicável…

Esforçando-me por me recompor, a boa Irmã, da Congregação das Irmãzinhas dos Anciãos Desamparados, lá nos apresentou, não tendo o visitado necessidade de se esforçar para saber de quem se tratava. Com que devoção eu estive aqueles momentos junto do Zé, falando-lhe mais com a alma do que de outra forma. Ele estava tão lindo!... Os seus lindos olhos azuis, pareceram-me muito mais bonitos naquele momento, não sei se pela forma como eu os via, se por tudo o que eles diziam da própria pessoa e daquelas que tão carinhosamente dela cuidavam. Quando chegámos, encontrámo-lo um pouco agitado e, quiçá pela visita, as suas tremuras começaram a aumentar. Breves minutos depois, até a gentil freira se mostrou admirada por tão súbita serenidade que o invadiu, e passou a estar como se nada tivesse.

No final, mais do que pelo simples gosto de visitar a belíssima capela da casa, lá tive de me recolher uns momentos em agradecimento a Deus pelo bem-estar daqueles irmãos e pela paz tão merecida de que agora gozavam em sua velhice.

Passaram exactamente três anos* desde que Deus libertou o Zé das muitas dificuldades que viveu nesta vida e das suas limitações terrenas. Possa ele agora ser benigno para quantos com ele privaram, depois de durante tantos anos a palavra “benigno” lhe ser associada ao nome como se de apelido se tratasse.

Quem sabe se um dia numa Primavera, lá para os Salgueirinhos, Lama-susana, Carvalhas ou “Abelãeras”, por onde o Zé há muitos anos andou com seus bois, algum gaio, cuco ou milhafre, não virão falar-me dele… Até lá, em terra lavrada por onde passe, pegadas de lobo poderei encontrar, levando-me em pensamento para tão saudosos tempos… Estarei atento ao canto do mocho ao anoitecer, que em seus lamentos parece continuar à procura, chamando, chamando, por algum dos bois que fugia ao Zé…

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* Tinha acabado o texto, e nele dizia (no penúltimo parágrafo) que, havia cerca de dois anos desde a sua partida, mas, umas duas horas depois, consegui saber que a partida se fez no dia 20-10-2005. Será concidência? Hoje, é precisamente dia 20 de Outubro...