Depois de já ter passado pelas fases antecedentes, encontrava-me à porta do RX, a aguardar que a minha vizinha, que acompanhei ao Hospital de Santa Maria, fosse chamada. Na mesma situação, a aguardar na sala de espera como acompanhante, encontrava-se uma jovem Dominicana, com a qual procurei meter conversa.
Sem deixar de me dar atenção, não tirava o olhar do canto oposto da sala, passando, por dever de educação, a explicar-me o motivo pelo qual mantinha centrada a sua atenção lá no canto mais distante: procurava assegurar-se que a jovem com quem ela interviera, repreendendo-a, se mantinha junto de sua mãe, que se encontrava numa maca com a cabeça ferida e a necessitar dos cuidados da filha enquanto não era chamada para os exames seguintes, cuidados como o de lhe ir mantendo na cabeça algo que o médico recomendara.
A Irmã Filipa Alexandra, no meio de toda aquela gente que se encontrava na sala, não se distinguiu apenas por trajar um hábito religioso. Enquanto uns meneavam a cabeça e outros cochichavam com quem estava ao lado, censurando o desprezo da jovem pela sua mãe que, sofrendo, reclamava em vão os seus cuidados, a Irmã Filipa concertou o elo partido.
Dizia-me que, consciente do risco, admitiu a possibilidade de ser mal sucedida, podendo mesmo ser hostilizada pela jovem. Mas a decidida freira, digna herdeira do carácter espiritual da sua fundadora, a heroína Madre Teresa de Saldanha, confiou na armadura que o simples hábito religioso poderia constituir naquele momento.
Foi essa armadura, para o mundo a melhor identificação de que quem com ela se reveste é pessoa consagrada a Cristo e à Sua Igreja, que a encorajou a pensar que não seria desobedecida nem mal tratada pela jovem (que me pareceu ser já adulta). E de facto, o erro desta, cedeu perante a determinação e a autoridade de quem ousa agir segundo o impulso do Espírito.
Pudéssemos muitas vezes encontrar pelos caminhos do mundo os consagrados e as consagradas identificados como tal, e a sua simples presença, independentemente do quão próximo ou afastado da santidade possa estar cada um, constituiria não só uma barreira às tendências do mal, mas ao mesmo tempo um conforto e um estímulo para quantos possam inclinar-se para o bem.
A vós, homens e mulheres consagrados, que o Espírito d’Aquele que um dia vos chamou para a Messe ilumine as vossas inteligências e perfume o vosso coração, de modo a sentirdes-vos chamas vivas do Espírito Santo que em cada um deseja encontrar a disposição necessária para que, por todos os meios, possais ser um Sinal visível da Sua presença no meio dos homens.
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P. S. - Depois de escrever este último parágrafo e ter editado o texto, vejo que neste mesmo dia a Santa Sé anunciou a realização de um consistório na manhã do próximo dia 23, para a canonização de cinco Consagrados, quatro presbíteros e uma religiosa...
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