quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Testemunha da existência da rede clandestina de Pio XII

No seguimento do "post" anterior, transcrevo agora, integralmente, este outro texto da Agência ZENIT, depois de alguns ajustamentos para o Português de Portugal.


ZP10011413 - 14-01-2010Permalink: http://www.zenit.org/article-23795?l=portuguese

A "prova viva" da existência da rede clandestina de Pio XII em auxílio dos judeus

Entrevista com um de seus membros, o padre Giancarlo Centioni
Por Jesús Colina

ROMA, quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010 (ZENIT.org).- Alguns setores da opinião pública têm pedido, em semanas recentes, provas da ajuda oferecida por Pio XII aos judeus durante a perseguição nazista. O sacerdote italiano Giancarlo Centioni, 97 anos, é uma das provas vivas, já que é o último membro vivo da rede clandestina criada pelo Papa Pacelli.

Entre 1940 a 1945, Centioni foi capelão militar em Roma na Milícia Voluntária pela Segurança Nacional, tendo vivido com sacerdotes alemães da Sociedade do Apostolado Católico. “Na condição de capelão fascista, era mais fácil para mim ajudar os judeus ", disse ele, explicando por que foi escolhido para participar da arriscada operação.

“Meus colegas sacerdotes palotinos provenientes de Hamburgo tinham fundado uma sociedade denominada "Verein Rafael '(Society of San Raffaele), criada para prestar auxílio aos judeus", revelou.

Um dos objetivos da rede era dar suporte à fuga de judeus da Alemanha, através da Itália, em direção à Suíça ou Portugal, motivo pelo qual a rede contava com membros nos quatro países.
Na Alemanha, lembra o padre Centioni, a sociedade era dirigida pelo padre Josef Kentenich, conhecido em todo o mundo como o fundador do Movimento Apostólico de Schönstatt.

Posteriormente, este sacerdote acabou sendo preso e mantido num campo de concentração até o final da guerra.

“Em Roma, o líder de todas estas atividades era o padre Anton Weber, o qual tinha contato direto com Pio XII e sua secretaria”, explicou.

Uma das principais atividades da rede consistia em obter passaportes para que as famílias judias pudessem deixar a Alemanha.

“Estes passaportes eram obtidos diretamente da Secretaria de Estado de Sua Santidade, pela intervenção direta do próprio Pio XII”, acrescentou.

“Comigo atuavam ao menos 12 sacerdotes alemães em Roma”, prosseguiu o padre, explicando que a rede recebia também uma ajuda decisiva da polícia, em particular do chefe adjunto de Mussolini, Romeo Ferrara, que lhe informava o local onde estavam escondidas as famílias judias para que pudessem levar os passaportes " – “mesmo à noite”.

Padre Centioni lembra uma dessas ocasiões, em que o policial o enviou durante a noite, advertindo-o para ir vestido com os trajes de Capelão para que “não fosse preso por soldados alemães”, a uma casa na qual estava escondida uma família judia de nome Bettoja.

O sacerdote diz lembrar “nitidamente” do medo e das dificuldades na operação, inclusive por parte das famílias que ajudava. “Bati à porta, mas não quiseram abrir. Disse então que não temessem, pois era um capelão e vinha para ajudar, para trazer os passaportes”; “juro, vocês podem ver através do olho-mágico da porta”, e então foi finalmente recebido pela senhora Bettoja com as crianças.

“Disse a ela: saiam amanhã antes das 7 em seu automóvel, porque às 7 poderão cruzar a fronteira pelo Lácio em direção a Gênova”. Fugiram e se salvaram. “Foi uma das tantas famílias”, disse.

As atividades da rede se iniciaram antes mesmo da invasão alemã na Itália, lembra o padre Centioni, e prolongou-se "até onde eu sei, até depois de 45, porque as relações do padre Weber com o Vaticano e os judeus eram muito vivas”.

"Entre aqueles que posteriormente colaboraram conosco, havia dois judeus que escondemos: um homem de letras, (Melchiorre) Gioia, e um grande músico e compositor de Viena, autor de canções e operetas, Erwin Frimm”.

“Todas pessoas de coragem”, disse. “Nos ajudaram muito com informações precisas” - reconheceu” – “mesmo colocando sua própria vida em risco”.

“Ajudei Ivan Basilius, um espião russo, que eu não sabia que era russo nem espião; era judeu. Foi preso pela SS e nas revistas, encontraram meu nome em suas anotações. Então, convocou-me a Santa Sé, sua excelência Hudal [alto e influente prelado alemão em Roma], dizendo: “venha para cá, pois a SS quer prendê-lo”. Perguntei: “Mas o que fiz?” - “Você ajudou um espião russo”. “Eu? Quem é?” - Então escapei.

Pe. Centioni, como capelão, conheceu pessoalmente o oficial alemão Herbert Kappler, comandante da Gestapo em Roma e autor do massacre das Fossas Ardeatinas, no qual 335 italianos foram assassinados, entre os quais muitos civis e judeus.

“Durante a invasão alemã, logo após a carnificina, perguntei a Kappler, a quem via com freqüência: por que não chamaram os capelães militares para as Fossas Andreatinas? E ele me respondeu: porque teria eliminado também eles”.

Pe. Centioni assegura que as centenas de pessoas que pôde ajudar tinham conhecimento de quem estava por trás de tudo. “Quem os ajudava era o Papa Pio XII, por meio de nós sacerdotes e da Raphael's Verein”, e através dos Verbitas, sociedade alemã em Roma. A entrevista foi concedida à Agência ZENIT e à Agência H2ONews (http://www.h2onews.org/) e publicada nesta quinta-feira.

O caso do padre Centioni foi descoberto e investigado pela fundação Pave the Way (http://www.ptwf.org/), criada pelo judeu nova-iorquino Gary Krupp.

Os relatos de Centioni são corroborados pela condecoração a ele concedida pelo governo polaco (“a cruz de ouro com duas espadas”, “pela nossa e pela vossa liberdade”).

O sacerdote citou outras expressões de gratidão por parte de algumas das pessoas que ajudou: os senhores Zoe e Andrea Maroni, os professores Melchiorre Gioia e Aroldo Di Tivoli, e as famílias Tagliacozzo e Ghiron, cujos filhos puderam se salvar, alcançando os EUA, com passaportes e recursos disponibilizados pelo Vaticano.

A entrevista pode ser assistida no site: http://www.h2onews.org/.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Destacado judeu rende homengem a João XXIII

Depois de muitas críticas já se terem ouvido por alegado silêncio da Igreja Católica em relação ao sofrimento do povo judeu no século XX, impõe-se-nos que atendamos à opinião de um digno representante desse povo irmão. Para o efeito, transcrevo na íntegra o artigo publicado pela ZENIT no primeiro dia deste ano de 2010. Vale a pena repensar a forma como aceitamos ideias veiculadas pela maledicência que quase sempre procura encobrir-se com a capa da seriedade.

ZP10010103 - 01-01-2010Permalink: http://www.zenit.org/article-23687?l=portuguese

Homenagem de um candidato ao Nobel da Paz, judeu, a João XXIII

Baruj Tenembaum, um “descendente de escravos”

ROMA, sexta-feira, 1 de janeiro de 2010 (
ZENIT.org).

Entre os primeiros candidatos ao prêmio Nobel da Paz, atribuído este ano ao presidente Barak Obama, encontrava-se Baruj Tenembaum, criador da Fundação Internacional Raoul Wallenberg.

ZENIT perguntou a Tenembaum, judeu de origem argentina, pioneiro do diálogo inter-religioso deste os tempos de Paulo VI, por que, segundo ele, tanto interesse por sua figura e obra.

“Quem sou eu?”, pergunta-se com simplicidade Tenembaum. “Não me referirei concretamente ao sucedido pois não me considero tão importante”.

“Concretamente, sou descendente de escravos, daqueles judeus que trabalharam no Egipto sob o jugo dos faraós, e que foram libertados por Moisés.”


“Sou tão judeu como os que foram expulsos de Jerusalém quando se destruiu o Primeiro Templo, e logo o Segundo”, segue explicando.

“Tão judeu como meus irmãos que foram expulsos de Portugal e da Espanha”, “como os que foram perseguidos na Europa”, “como aqueles seis milhões aniquilados pelos Hitlers, no plural”.

“Sou um simples filho de colonos que dedica sua vida a agradecer aqueles seres humanos que salvaram vidas, que se arriscaram. Os Wallenberg, Souza Dantas, Sousa Mendes, mais de 20.000 gentios, não judeus, a quem devemos gratidão, recordação, a educação a nossos descendentes.”

Deste modo, confessa, pôde descobrir nos arquivos o alcance da figura de Angelo Roncalli (João XXIII), que durante a Segunda Guerra Mundial, sendo representante diplomático de Pio XII em vários países, realizou uma corajosa obra de ajuda a judeus perseguidos.

“Não podemos deixar de nos emocionar com lágrimas que escapam dos olhos quando nos inteiramos das acções que esse filho do povo italiano, simples, humilde, grande, executou em circunstâncias totalmente adversas para salvar, por exemplo, crianças expostas à sombra do inferno; rompendo, destruindo preconceitos, indo além do que supõem ou indicam as regras.”

“A cada momento imaginamos Roncalli rezando, também na presença de terceiros, pedindo a seu chofer que se detenha em frente à sinagoga de Roma para rezar ‘por meus irmãos judeus’”, explica Tenembaum.

“Ou quando recebeu no Vaticano um delegação de judeus, levantou seus braços e exclamou desde a cadeira papal, citando a Bíblia: ‘Sou José, vosso irmão’”.

“Então, novamente: quem sou eu? O que sobrevive, o que fica; o importante, o nobre é destacar o que ‘sobre-vive’, por exemplo: Angelo Roncalli”.

domingo, 20 de setembro de 2009

La influencia de los media en la sociedad de consumo

Los media, con particular destaque para la televisión, son los gran responsables por la democratización de los gustos, así como de la propia cultura, por que dan la posibilidad de escoger aquello que de entre las muchas posibilidades planteadas a cada uno le guste. Y esto es válido no solo en el dominio económico y cultural, pero en muchos otros. Sin embargo, a par de la democratización, la televisión trae algunos e serios peligros.

Muy lejos de su tan gran impacto social estaría el creador de este medio, que es hoy el medio de información por excelencia. La origen de la televisión se debe a John Logie Baird, el primer hombre a construir el primer sistema de transmisión de imágenes, aun que haya sido por medios mecánicos. Pero como en todas las invenciones, su desarrollo ha pasado por otros nombres, como Isaac Schoenberg, que presento un sistema electrónico.

El servicio de televisión, se ha extendido por varios países. De Inglaterra ha llegado a los Estados Unidos, ahonde fue visto por primera vez en la Feria de Nueva York, en 1939, y en meados de los años 40, ya existían 25 estaciones de televisión en aquel país. Extendiéndose a otros países, en la década de 50 aquél servicio era en imagen monocromática, aun que Baird haya ya mostrado la tele con imágenes coloridas en 1928.

En Portugal se ha podido ver por primera vez la televisión, en el año de 1957. Desde entonces hasta ahora, el acceso a este medio tecnológico se ha expandido tanto, que se cree no haber familia alguna que no lo tenga. Su evolución tecnológica fue tal, que hoy se puede coger la emisión en cualquier parte del mundo, al disponerse del satélite y de la internet.

La televisión, es hoy uno de los medios que más poder tiene sobre las personas. Por ella pasa, incluso, la creación de nuevos estereotipos sociales, fenómeno que mucho esta a preocupar los responsables por el sano crecimiento de los niños y hasta de la propia juventud. Sin embargo, no deja de constituir el talón de Aquiles para los regímenes que se distancian de la democracia, siendo por eso, un importante medio o fuerza con la cual tienen que enfrentarse todos cuantos pueden ser noticia por malos ejemplos.

Hay que decir, por último, que la televisión está hoy para las personas más permeables, como está un eficaz y fuerte medicamento para alguien desproveído de cualquier responsabilidad cuanto a la importancia en saber tomarlo. Por eso, lo que se me plantea como más razonable, y para desarrollar las herramientas necesarias a un sano convivio con este medio de tan gran importancia, es el ejercicio de la autoridad de un organismo que esté atento a los contenidos de su programación, por más que cueste admitirlo. Y lógicamente que, ese organismo habría que ser formado por personas independientes de la administración pública, por personas reconocidamente integras y con responsabilidades en la educación, personas que, en cuanto padres, tienen la clara conciencia de los contenidos que reprocharían para sus hijos.

Mientras esto no ocurra, quedan los educadores completamente desamparados hacia el poder que la televisión tiene sobre los niños e sobre los jóvenes, sin hablar en muchos casos de personas mayores, una vez que me parece una tarea verdaderamente hercúlea, el eficaz control que habría que tener tanto sobre el cabal conocimiento del mensaje de los programas, como del tiempo disponible delante de la pantalla.

El poder que la televisión puede ejercer sobre las personas es muy grande, toda la gente lo sabrá. En my niñez y principalmente más tarde en la juventud, yo veía como la televisión condicionaba mis ocupaciones o juegos de entretenimiento, quedándome pegado a las series que más me gustaban, que eran las de espionaje e de vaqueros. Así, como que pregunto: ¿Están tan ciegas las personas, que no ven que el Mal ha tomado cuenta de lo que más se hace pasar en la televisión? ¿Cómo no habremos de ver nosotros nuestra juventud, y mismo aun niños, en tan impensables (para tiempos no tan lejos así) formas con que se presentan por la calle, si hasta los padres aceptan como normal las series en las cuales solo se ve aquello que más no tiene si no el estimular el deseo de la práctica sexual?

Es tan verdad que es el Mal, el autentico y eterno Enemigo del hombre, que esta por detrás de todo esto, que se asiste a una hipócrita y fingida preocupación por parte de los gobiernos con relación a esta cuestión. Aun así, hay mucha gente que alaba las falsas preocupaciones de los gobiernos, y con el tiempo, porque también se presenta como socialmente correcto, hacen su adhesión a tan “nobles” causas.

Como toda la persona que ahorra para enfrentar la posibilidad que pueda venir a tener más tarde de echar mano de eses ahorros, también todos nosotros nos deberíamos preocupar más con el futuro de nuestros hijos y con la sociedad. No lo haciendo, por pereza o porque estamos siendo demasiado flojos, estamos ya a hipotecar el futuro de la propia sociedad, razón válida tanto para esta como para otras importantes cuestiones sociales. Y es tan más necesario la intervención de todos nosotros, cuanto más grandes son los poderes de los órganos que están influenciando la sociedad.

Los datos bibliograficos han sido cojidos in, Personajens da História, Círculo de Leitores, p.118

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A solução para a crise mundial

Cingindo-me apenas à vertente económica da crise que se instalou, os governos das várias nações só não a solucionam porque não querem, talvez por que lhes falta a honestidade necessária. Valendo-me de um trabalho feito num outro contexto, que tinha como tema a Declaração Universal dos Direitos do Homem e no qual ensaiei adicionar mais um Artigo a essa magna carta, apresento aquilo que poderia ser o tronco das medidas a implementar para solucionar a actual crise: 
 1. A bem da equidade na distribuição da riqueza criada, nenhum trabalhador por conta de outrem, seja do sector público ou privado, pode auferir um salário líquido superior a 60% do vencimento do Chefe de Estado (em Portugal é € 7.630,33), assim como ninguém pode auferir um salário inferior a 12% desse valor (que corresponde a € 915,00). 
2.Os salários dos membros do Governo, à excepção do Primeiro Ministro, que pode chegar até aos € 7.500,00, poderão chegar aos 80% do salário do Chefe de Estado (em Portugal seria € 6.104,00), quando nesse valor estiverem incluídas todas as regalias de que possam gozar seus familiares. 
3. A regalia de ter carro e motorista pagos pelo Estado, só ao Chefe de Estado, Ministros e Secretários de Estado, é devida. 
4. Todo o titular de riqueza resultante de qualquer actividade económica, ficará isento de impostos até ao montante equivalente ao salário do Chefe de Estado, a partir desse valor, ser-lhe há tributado o imposto de 60%. 
5. O Estado assegurará as necessárias condições para tornar possível o pagamento integral do valor pedido às instituições bancárias para compra de casa, num período que não pode ultrapassar os 10 anos e em mensalidades que não podem ir além de 20% do salário do comprador. 
6. A administração pública não pode promover, nem mesmo contribuir, directa ou indirectamente, qualquer festividade que represente despesa, por pequena que seja, nem os titulares de cargos públicos e de empresas participadas pelo Estado poderão ser reconduzidos nos cargos, enquanto em seu território houver uma pessoa que não beneficie de todos os direitos consignados na Declaração Universal dos Direitos do Homem. 
A implementação destas medidas, obviamente que não poderiam aplicar-se apenas num país, dado o desequilíbrio que originaria a vários níveis com os restantes países, mas já poderiam ser assumidas por um importante conjunto de países como a União Europeia, com vista à sua aplicação no seio das Nações Unidas. Imagine-se a radical transformação que não sofreria o mundo. Deixaríamos de assistir ao fenómeno da emigração, da imigração e mesmo da migração em grande escala, uma vez que não mais haveria necessidade de cada um deixar as suas terras para tentar escapar à miséria. Pode ser que um dia o povo veja de uma vez por todas que os políticos devem trabalhar se quiserem sobreviver. Esse sinal já foi dado nesta mesma noite em que escrevo estas linhas, ao constatar-se que a maioria dos eleitores portugueses não querem os políticos, ao não se terem dado ao trabalho de votarem para as Europeias. No que diz respeito à velhinha Pátria, penso que algumas famílias políticas têm feito com ela o que faria aquele imoral filho que obrigasse a própria mãe a prostituir-se. É de lamentar que se super-valorize o que é estrangeiro e a auto-estima nacional ande “pelas ruas da amargura”, havendo quem pareça envergonhar-se da Alma Pátria, como se, para curar os seus traumas fosse necessário repudiar o grande património que é constituído pelos Valores que mais contribuem para a nossa identidade. Fosse possível enviar para fora das nossas fronteiras todos quantos parecem ter uma fixação pela “alma” europeísta, e eliminar-se-iam os obstáculos à edificação dos nossos Valores, e assim deixava Portugal de ser tratado como filho bastardo; de ser visto unicamente como o espaço de engorda para os “abutres”; onde o conceito de liberdade permite fazer tudo, ainda que para tal se tenha que recorrer às mais elaboradas artimanhas e se use do cargo para legislar com vista no próprio umbigo (como já vimos com todos os partidos); ao apregoar bem alto e repetidamente o erro com vista a torná-lo norma aceite, enfim, a um sem número de coisas que me deixam a ideia de que anda por aí gente apostada em afundar Portugal.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A hipocrisia da crise

Infelizmente, parece que até já nem há espaço para falarmos de outras coisas senão da crise. E sobre ela, ocorre-me partilhar com o leitor duas questões, ou pensamentos:

Onde, ou por quem é criada a crise e, quem é responsável por que ela se mantenha?

Resposta à primeira questão:

A crise económica nasce, desenvolve-se e amadurece, no coração dos soberbos, acabando por se instalar na sociedade por via dessa malévola influência que neles se gerou. E como tendencialmente são os soberbos que atingem os lugares cimeiros do poder, depois de, obviamente, nada se importarem de quantos têm que pisar, nem do número de falcatruas para o alcançarem, o nefasto impacto de tudo quanto fazem, vai aumentando à medida que a engrenagem do sistema económico-social mais deles vai dependendo.

Quanto à responsabilidade por que ela se mantenha, já não é apenas de uns, mas, diria mesmo, de todos, ainda que uns mais responsáveis do que outros. Fugiria à verdade se não dissesse que, em meu entender, são os governos o maiores responsáveis por qualquer crise, se não, vejamos:

As políticas do Governo Comunitário para a actividade económica que agora representa cerca de 6% do PIB, a agricultura e outros sectores sucedâneos, impuseram medidas tão escandalosas, que acabaram por estrangular a actividade dos pequenos e médios agricultores. Por outro lado, para os grandes grupos económicos como a indústria petrolífera, a banca, telecomunicações, e outros grandes operadores, cotados ou não em bolsa, nenhum governo se atreveu a impor quotas para os lucros que chegaram em alguns casos aos milhares de milhões de lucro anual, como a EDP, que há algumas semanas declarou que teve mil milhões de lucro no ano passado. Se fossem impostos limites de riqueza válidos tanto para cada cidadão individualmente, como para as empresas, rapidamente deixaria de haver miséria, medidas que teriam que ser acompanhadas da obrigatoriedade de toda a gente ter que trabalhar.

Por que razão os governos nunca pensaram nisto? Creio que é demasiado óbvio perceber que, de facto, tais medidas nunca poderão ser tomadas. Senão, como poderiam os necrófagos sociais alimentarem a sua cada vez mais insaciável ganância?

Não temos todos, sobejo conhecimento de leis que parecem mesmo feitas à medida do “freguês que se segue”, que aparentam algumas reclamadas alterações, mas que não passam de alguns acertos que só garantem a manutenção do sistema, tendo em vista os altos cargos que passarão a ocupar depois de deixarem as funções governamentais?

E não vamos também sabendo da criação de empresas autárquicas e institutos públicos, cuja existência se justifica para garantir os altos vencimentos a muitos compadres que não podem trabalhar por nada saberem fazer?

Não vamos nós sabendo que há presidentes de assembleias gerais de empresas que recebem mil contos por estarem presentes numa reunião, como é o caso, há dias noticiado, da BRISA a pagar a António Vitorino?

Alargando o campo de análise, porque dos corações soberbos comecei a falar e estes não têm nacionalidade, não vimos o escândalo de uma empresa ou grupo financeiro nos EUA que recebeu do Estado 185 mil milhões de dólares para não se afundar, e 175 mil milhões foram distribuídos em prémios aos seus administradores? Então não é de erguer uma estátua àqueles administradores, por terem conseguido na empresa um trabalho tão meritório que mereceram como prémio, vários milhões de dólares cada um?

E então o Presidente da Câmara de Oeiras, que disse em julgamento que não tinha consciência que constituía uma fuga ao fisco, o facto de “despachar” (o termo é meu) mais de um milhão, trezentos e vinte e um mil euros, para um banco suíço, não declarando tal valor ao fisco nem ao Tribunal Constitucional? Vejam só, que eu até cheguei a duvidar da seriedade do homem e, afinal, não passou de um acto ingénuo de pessoa simples…

Muito mais poderia dizer sobre as principais razões da crise que está a afectar a economia mundial, mas fico-me por aqui, certo de que terei dado as pistas necessárias para que o leitor possa entender o que eu penso quanto aos principais responsáveis. Mas não queria terminar sem aludir, a par dos milionários vencimentos e equiparadas indemnizações e pensões de reforma de tantos desavergonhados e corruptos, a esse outro escandaloso sorvedouro de riqueza, que é constituído pelos meninos de ouro que são os jogadores de futebol, aos quais deveria também ser imposto um montante máximo, e para haver alguma justiça, esse teto teria que estar de acordo com aquilo que na opinião dos pobres seria aceitável.

Dizer que tudo isto é um escândalo, é ser exageradamente brando, quando na verdade estamos diante do mais hediondo crime económico-social contra milhões de seres humanos que só nesta pomposamente dita União Europeia vivem entre a subsistência e a miséria, já para não falar de outras partes do mundo, onde existe um número bem maior de vítimas dos criminosos soberbos que tudo dominam.

Concluo, certo de que poderei estar a ser exagerado ao admitir que há corruptos neste país, uma vez que a justiça nada provou ainda, a não ser um caso também há dias noticiado de dois elementos da GNR que se corromperam por 25 euros, cabendo-lhes em julgamento uma pena de dois anos de prisão. Afinal, ainda há alguns corruptos, assim como há justiça para eles! Só espero que ainda se venha a conseguir justiça também para os que "não são" corruptos, aqueles que o povo designa de “os grandes”, e que são apenas, coitados, malabaristas da política e da finança.

quinta-feira, 19 de março de 2009

A Nova Era e a Nova Ordem Mundial

A origem da "Nova Era" (New Age, em inglês), está ligada ao nome de Helena Petrovna Blavatsky, nascida na Rússia em 1851, naturalizada norte-americana em 1874 e falecida em1891. Nas suas viagens conheceu as doutrinas místicas do Oriente. Era médium espírita, e por dez anos esteve sob o domínio de um espírito demoníaco que ela denominava de "mestre cósmico" ou "espírito cósmico."

Helena P. Blavatsky, é considerada a fundadora do movimento, mas, segundo ela, o plano da criação do movimento não partiu dela, mas sim de seus "mestres cósmicos", ao ter sido "encarnada" por um espírito (da parte do Satanás). Após 21 dias de êxtase, recolhida dentro de um salão espírita, ela recebeu todas as directrizes do plano que mais tarde iria ser chamado de "Movimento da Nova Era."

Em consequência, no ano de 1875, na cidade de Nova Iorque, foi fundada a Sociedade Teosófica, dentro da qual se cultivou o Movimento da Nova Era, o qual deveria ser guardado em segredo durante cem anos, segundo os "espíritos cósmicos".

O Teosofismo apresentado por Helena é uma doutrina secreta. Afirma que é possível reinterpretar o cristianismo mediante uma chave espiritual que foi perdida pelas igrejas Cristãs, mas encontrada por ele. Dizem que o próprio Jesus teria sido esotérico, teria aprendido com os essénios e transmitido os ensinamentos a seus discípulos predilectos.

Após a morte de Helena, sua sucessora foi Annie Béssant. Ela fomentou a expectativa da vinda de um novo messias. Para isto, preparou um jovem hindu, dando-lhe formação em todos os sentidos. Quando porém, estava para apresentá-lo ao mundo como "Messias", o pai do jovem denunciou publicamente a farsa. Enquanto isso, o jovem encantado com os prazeres da vida nova-iorquina resolve desistir e abandonar seu falso papel.

A terceira presidente da Sociedade Teosófica foi a inglesa Alice Bailey (× 1880 a † 1949) que tendo imigrado para os Estados Unidos ficou sendo reconhecida como suma-sacerdotiza da Nova Era. Dizia receber mensagens de um "Mestre da sabedoria" que havia vivido no Tibete. Estas mensagens psicografadas foram publicadas em numerosos livros como doutrina secreta do "Plano". Para dar início ao estabelecimento da "Nova Ordem Mundial" o plano tem como primeiras linhas orientadoras a natureza (ecologia) e a sociedade, entre a economia e a ciência. Tudo deve transformar-se para uma grande "unidade plena", total. "Deus e o mundo, o espírito e a matéria, o homem e a natureza, o corpo e alma, o eu o tu, tudo deverá tornar-se uma grande unidade animada de espírito".

Para melhor entendermos o que está veradeiramente por detrás desta tão grande crise de valores, neste tempo em que tudo é relativo e se aceitam e vivem ideias contrárias à matriz religiosa e cultural de cada um, importa que recuemos um pouco no tempo, antes de Helena Petrovna Blavatsky, para ficarmos também com uma ideia das ocultas razões que se escondem por detrás da crise económica mundial.

Politicamente falando, em 1750, Anxel Moses Bowel, um judeu-alemão ouvires, teve um filho chamado Mayer Houtyuti que se tornou banqueiro. Anxel enviou 5 dos seus filhos para as principais cidades européias com o objetivo de criar bancos e dominar toda a economia.
Em 1773, Mayer associou-se a 12 homens poderosos e formou o clube dos 13. Chamaram um sacerdote satânico, chamado Adam Wishop, que elaborou um plano em 1776 com um símbolo de uma pirâmide com 13 degraus e um olho dentro que representava satanás vendo tudo. A nota de dólar tem esse símbolo e uma data em numeração romana que é 1776. Coincidência?

Nos finais do século XIX, o “Grande Comandante da Maçonaria” Norte-americana, Albert Pike, viria a ser um dos arquitetos da Nova Ordem Mundial, pelo que, não se pode falar do actual estado das sociedades sem considrarmos os seus maiores responsáveis, que é a maçonaria, ingrediente da mesma sopa cozinhada pelo próprio Satanás.


A Nova Era como religião

Como o anúncio do Plano da Nova Ordem Mundial, também deveria ser apresentado o "Cristo da Nova Era" que vai fundar ou já fundou a nova religião mundial. Na Alemanha ele foi anunciado em 1982. Revistas e jornais trouxeram páginas inteiras dizendo: "Cristo agora está entre nós. Ele não vem para nos julgar, mas para ajudar a humanidade e inspirá-la. Ele é Maitreya, o "educador" da nova geração humana". Vive num lugar desconhecido; somente alguns dos discípulos mais próximos sabem onde ele se encontra. Seu precursor é o escocês chamado Benjamim Creme. O centro de planeamento quando o movimento ainda estava oculto em Nova Iorque, era o "Lucis Trust" (Editora Lúcifer), hoje o movimento conta com uma rede de editoras no país.

Dentro do seu plano de pseudo religião, a Nova Era possui leis, mandamentos, "escrituras sagradas", orações, etc... Possui também sacerdotes e profetas com forças "sobrenaturais" e até mesmo um novo messias, capazes de realizar grandes sinais e operar maravilhas.

Ensinam que o homem é deus e criou Deus conforme sua própria imagem. Portanto, o Deus que os cristãos adoram seria criação do próprio homem. Por isso, consideram o homem como parte da divindade, da consciência cósmica e da "força". Cada pessoa precisa apenas descobrir e desenvolver a sua divindade. Para isso há numerosos cursos especiais, como por exemplo: "Pró-Vida", Integração Cósmica" e outros.

Tudo isso nos diz, em última análise, que para os adeptos da Nova Era o caminho de vida dos homens e mulheres nada mais é do que a divinização do ser. Afirmam também que todo o homem pode ser absorvido completamente pelo espírito do deus da "força" ou do "poder". Isto porque Deus não é pessoa, mas uma energia, consciência cósmica universal. Cada pessoa é um universo, conhece tudo.

Acreditam que esta força neutra considerada como Deus, possa ser manipulada para o bem ou para o mal. E, por isso, há grande interesse em aprender as práticas pelas quais poderão realizar tal manipulação. E, isto aprendem, dizem eles, através do pensamento positivo, exercitando meditação transcendental, ioga, etc... Assim pretendem responder ao vazio deixado pelo materialismo.

Numa meditação chamada "Meditação da cura do mundo", dizem: "No princípio Deus criou os céus e a terra... Agora chegou o tempo do novo princípio. A humanidade volta à sua filiação divina, ao ser divino... Que possibilidades se estão abrindo para os homens... Que maravilhas estarmos unidos mundialmente, irradiando luz, amor, pensamento de paz para o mundo, para cada pessoa, para tudo o que existe em Deus".


A Nova Era admite a rencarnação

A doutrina da Nova era nega que a morte seja definitiva. O homem não morre definitivamente, mas renasce em novos ciclos de vida. Ensina também que o homem pode salvar-se a si mesmo, pode chegar a ser Deus. Também não há redenção por Jesus Cristo porque o homem redime-se a si mesmo.


A Nova Era é um perigo

Ela gera confusão. Muitos acham que ela não é um movimento estruturado, mas um alimento espiritual, um caminho para a evolução espiritual do homem, uma passagem ou transição de uma realidade mundial a outra. São várias opiniões, mas se reflectirmos sobre o conteúdo mais profundo deste movimento vamos descobrir que ele não é tão religioso e tão "inocente" como muitos pensam e dizem. Nele há muita coisa oculta, secreta, como oculto procura sempre ser o seu verdadeiro fundador, o Inimigo.

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Fontes:
http://www.geocities.com/athens/parthenon/5132/newage.html

http://www.igrejaimdv.com/diversos.php?id=14&Tp=2

http://www.exsurgedomini.xpg.com.br/apologeticas/nova%20era/textosnovaera/simbolosdanovaera.htm, que por sua vez tem as seguintes referências bliográficas:

Extraído do Livro: Guerra Espiritual, do Pe. George W. Kosicki.
Revista,"Cavaleiro da Imaculada" Nº 9 de Setembro de 1993; Nº 10 de Outubro de 1993 e Nº 12 de Dezembro de 1993.


Revista, "Jesus vive e é o Senhor" Nº 180, de Julho de 1993. (Traduções de matérias publicadas nas revista alemãs: "BASIS" de Outubro de 1987 e "Werk der Kleinem Seelen" de Agosto de 1988. E, do Jornal "Bonifatiusbote" da diocese de Limburgo, Rottenburg em Stuttgart dos anos de 1987 e 1988).

sábado, 14 de março de 2009

A oração de uma criança

Era Quinta-feira, 17 de Julho, um dia como tantos outros, mas diferente para o Victor Manuel, que, num grave acidente de trabalho, originado por uma queda de nove metros de altura, passou à ténue fronteira que se situa entre a vida e a morte.

Do trágico acidente, resultaram-lhe fracturas graves na bacia, clavícula esquerda e toda a parte dorsal do mesmo lado, com fracturas em quase todas as costelas.

Na mesa de operações, depois de diagnosticados traumatismos em vários órgãos, como o sistema hepático, foi-lhe retirado o baço. Mas porque o seu estado era demasiado crítico, os médicos nada mais puderam fazer para além de procurarem retardar-lhe a morte, ligando-o às máquinas que permitem manter o estado de coma por tempo indeterminado.

À mãe, procuraram poupá-la do prognóstico, mas para uma irmã que o acompanhava mais de perto, foram peremptórios, dizendo-lhe que se preparasse para aquilo que só um milagre poderia evitar, e que fosse preparando a família.

A Inês, sobrinha do malogrado Victor, que tinha acabado de completar sete anos, tendo visto o tio naquele estado, foi sujeita a uma experiência que a levaria a estar na base dos acontecimentos que se seguiram.

Num povoado da Ericeira, onde a criança de expressivos olhos azuis passou a morar, houve no final de Agosto a procissão da Sagrada Família, na qual quis participar de princípio ao fim, o que constituiu algum sacrifício para a bisavó paterna, que teve que a acompanhar em todo o relativamente longo percurso.

Terminado o religioso cortejo e já no interior da igreja, saiu do lugar onde estava e, dirigindo-se lá à frente – não sei se aos pés do andor ou do altar de Nossa Senhora –, recolheu-se em oração.

Apreciando tão piedosa atitude, a bisavó, ao vê-la regressar ainda de mãos postas em gesto de oração, fez-lhe uma pergunta, cuja resposta foi tão simples quanto seria de esperar de uma criança: «Estive a pedir ao Jesus que tirasse o meu tio daquelas máquinas, porque eu não quero que ele esteja assim».

Entretanto, no hospital, o estado do Victor tinha-se agravado, facto que levou os médicos a decidirem fazerem-lhe uma traqueotomia, ou seja, abrirem-lhe um buraco na traqueia, impedindo assim que a morte lhe adviesse por asfixia.

Quando aquele dia de Domingo chegava ao fim (o dia da procissão), deixava ao mesmo tempo de haver necessidade daquela derradeira intervenção, que era apenas uma última tentativa para retardar um pouco mais o que há muito era esperado, deixando também de haver necessidade de as máquinas continuarem ligadas, e acabaram por desligá-las.

Chegada a hora da visita no dia seguinte, a angustiada mãe, ao dirigir-se à cama do filho, recebeu o choque de ver a cama vazia…

Dirigiu-se ao telefone e ligou à filha a dar-lhe a notícia. Foi então que esta lhe deu conta do que no dia anterior se tinha passado com a pequena Inês e, ligando as coisas, apenas se limitou a constatar a irrefutável verdade, uma vez que, antes da procissão, seu irmão tinha piorado, quando se encontrava em coma, e depois dela, não só retrocedeu na caminhada para a morte que estaria eminente, como, pelo seu próprio pé – ainda que ajudado – saiu da cama, deixando todos aqueles tubos e passou a um sofá onde a mãe o foi encontrar bem refastelado.

Pouco mais de quinze dias depois, também eu fiquei surpreendido ao vê-lo na rua a sair do autocarro, ao regressar de uma consulta no hospital.

A Inês, que tinha manifestado aos pais vontade nesse sentido, anda agora na catequese, e o Victor Manuel, que tem cinquenta anos, é agora catecúmeno, uma vez que se está a preparar para o Baptismo.

Para terminar bem, poderia nada mais escrever, mas há apenas um pormenor que julgo não poder dissociar de toda esta história, que é o facto de, nestes últimos anos, também ele, deslocando-se à Ericeira, ter participado naquela procissão com devoção.

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DE ARAÚJO DOS SANTOS, José Augusto, A oração de uma criança, In Notícias de Chaves, Nº 2448 (05-12-97), p.2

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

«Quem tem ouvidos, oiça!»

Um dos clientes do café da D. Maria, sempre que é interpelado por alguém dos presentes e o momento é favorável, aproveita para ir esclarecendo os seus interlocutores quanto às questões da fé ou da religião.

Aproximando-se o início de mais um ano catequético, procurou ele interessar-se que a Anaísa e o Mário, netos da D. Maria, passassem a frequentar a catequese, e quando já esta tinha começado havia algumas semanas e eles continuavam sem a frequentar, estando os dois para iniciar esse itinerário, empenhou-se nesse sentido. Havia porém uma questão importante a considerar quanto ao Mário, sendo a dedicada avó aconselhada a apresentar pessoalmente essa questão ao Pároco.

Quando foi à igreja, acompanhada pela D. Rosa, que muito viria a admirar-se pela mudança que nela constatou, foi recebida pelo seu cliente, que ali é catequista, apresentando-a ao Pároco, por também ele ter sido aconselhado nesse sentido.

Depois disso, quando o catequista voltou a estar no café, a D. Maria não sabia como manifestar tanto agrado. Havia muitos anos que se mantinha afastada da Igreja, e este contacto, mais pela forma como foi acolhida pelo Pároco, deixou nela o espaço aberto ao regresso, tanto que disse que passaria a ir à Missa todos os Domingos, coisa que até então dizia não poder por causa do café…

Alguns dias antes, a Anaísa e o Mário tiveram mais um mano. Para a extremosa avó, já esse facto fora uma grande bênção, o que também deve ter contribuído para o resultado do bem-estar interior alcançado com a ida à igreja.

Dois ou três dias depois, viajavam felizes os dois pequenos catequizandos com os avós e, quando, na A-15, um condutor entendeu deixar a faixa mais à direita no momento em que outro veículo estava a passar por ele, deu-se o acidente.

Mobilizados os meios necessários para o local, quando o condutor do reboque chegou, perguntou aos agentes da autoridade se a ambulância já tinha levado os mortos, não porque tivesse conhecimento do tipo de vítimas que resultaram do acidente, mas pelo que deduziu depois de verificar em que estado ficou o carro em que seguiam aquelas crianças e seus avós.

Foi um estranho acidente, como estranho foi o seu resultado. A avó dos meninos, que era quem conduzia, depois de muitos anos a falar mal dos padres, até ia a cantarolar, coisa que os netos nunca tinham ouvido, e cantava um cântico a Nossa Senhora…

Mesmo ficando o café a duas ou três centenas de metros da igreja, nunca a D. Maria lá tinha entrado, e como dissera ao cliente, mal transpôs a porta da entrada, gostou muito do que viu, pois, sendo uma igreja nova, estava muito ao seu gosto. Tudo a impressionou muito positivamente, até o simples gesto do catequista, o de ajoelhar quando passava diante do sacrário…

Algum tempo antes do acidente, ainda antes de o bebé ter nascido, o cliente foi mais uma vez catequista e a D. Maria a única destinatária dessa catequese, que teve como tema os Anjos-da-guarda e a sua solícita e amorosa missão.

Porque não valerá a pena continuar com qualquer consideração, remeto o leitor para as palavras com que Jesus encerrou vários dos seus ensinamentos: «Quem tem ouvidos, oiça!» Sim, porque os mortos a que se referia o condutor do reboque, não existiram naquele acidente, do qual todos saíram sem um único arranhão…

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Voou nas asas do cuco para fora do tempo

Há cerca de quatro ou cinco anos, estive no fim-de-semana da Páscoa na minha cada vez mais saudosa aldeia, o que não acontecia talvez há uns vinte anos. Sugado que fui pela vida urbana das grandes cidades como Lisboa, a minha terra, não contando com as saudades, pouco mais passou a representar do que uns escassos dias lá passados em cada ano.

Mesmo absorvidos pela azáfama característica da vida moderna nos grandes meios urbanos, os meus filhos, sempre ávidos das histórias que fizeram parte da minha infância e juventude, lá foram obtendo do pai o contar dessas histórias, despertando em mim tantas vezes aquela nostalgia que sempre se apodera de quem deixou para trás lugares, coisas, pessoas e mesmo animais que recorda com grande saudade.

Submergindo nesse oceano de saudosas recordações, acabo por sentir quão grande foi a minha sorte em ter nascido e crescido na aldeia. Belas e saudosas são as recordações da primavera, que rompia jubilosa em louvor ao Criador. Era o tempo em que eu via muitas das árvores de fruto prepararem-se para o banquete que chegava pelo verão, ao se vestirem de noivas, cada espécie engalanando-se mais do que a outra. Aos campos e outeiros, a Primavera trazia cores exuberantes, variadíssimos perfumes e alegres sonoridades, fossem elas da fauna natural ou do balir do cordeirinho de um rebanho que andase por perto. Numa verdadeira profusão de vida, ela vinha favorecer o homem e todos os demais seres vivos. Era a festa da natureza, que contagiava toda a criação.

Para a abertura oficial desta festa, todos os anos chegavam cantores de longínquas paragens. Tão grande era o acontecimento, que, com o Cuco e a Bubela como solistas, havia festa todos os dias. Os primeiros concertos destas duas aves, eram sempre saudados com grande alegria. Só as andorinhas podiam com elas rivalizar, com seus mais elaborados espectáculos que iam da dança em seus velozes e acrobáticos voos, ao grande coral com seu melódico e alegre chilrear.

Por vezes, o dever do bem cumprir com aquilo que me tinha sido determinado ficava por momentos esquecido, quando o Cuco ou a Bubela montavam o seu palco próximo, ficando eu atento ao seu canto, pelo qual tentavam contar-me as aventuras vividas por longínquas paragens de onde chegavam, mas não vivi na aldeia o tempo suficiente para com eles mais aprender...

Crescendo ao ritmo do pulsar da natureza e perscrutando a harmonia nela existente, mais fácil se tornou para mim assimilar os ensinamentos que dela retirava, ao mesmo tempo que era conduzido pelo sempre atento e afável saber de meus pais. A educação que meus irmãos e eu deles recebemos, foi positivamente severa no tocante à forma como deveríamos respeitar os demais. Dessa educação resultaria em nós uma especial atenção no trato que deveríamos ter com aqueles que por alguma razão pudessem ser desfavorecidos, fosse a nível cognitivo, mental, ou mesmo físico, e como aprendizes da vida em sociedade, até da natureza pudemos retirar o ensinamento das diferenças existentes numa mesma espécie. E se em toda a criação o homem é a obra-prima, para quem, como eu, sempre se sentiu enamorado pela diversidade que compõe toda a beleza da Criação, muito maior é o dever de compreensão e respeito para com todos os seres humanos que possam ser diferentes.

Se o contacto com as pessoas da terra era escasso pelas curtas visitas que fazia em cada ano, a partir do momento que passei a fazer as deslocações em transporte próprio, ficou muitíssimo mais reduzido esse contacto, o que levaria a recordar-me desta ou daquela pessoa apenas quando em conversa o seu nome era referido e, por sua vez, outras ficariam bem mais distantes no espaço da recordação. Assim aconteceu que, na visita que refiro ao início, cheguei mesmo a admitir que depois de tantos anos sem os ver nem neles se falar, algum dos irmãos por quem perguntei já tivesse falecido. Espantou-me a resposta que obtive. O “Tonho” e o Zé, que havia vários anos que tinham deixado a aldeia para irem para uma casa de repouso para os lados de Vila Real, estavam então na Casa de Santa Marta, em Chaves.

Estes dois irmãos eram um pouco desfavorecidos pela natureza, facto que lhes acarretou uma carga ainda bem maior, que era a zombaria de que muitas vezes eram alvo, principalmente por parte da garotada, mas também por outros de maior idade. Quão triste eu ficava muitas vezes, ao ver o Zé exasperado pelas diabruras que lhe faziam, em atitudes que para mim sempre estiveram mais próximas da crueldade do que da má educação. Para além de terem sido meus vizinhos, terão sido também estes factores que me levariam a sentir-me fortemente impelido a visitá-los, visita que fizemos os cinco, contando com a minha sogra que nos acompanhou.

O “Tonho”, disfrutava da belíssima tarde soalheira no jardim, antes de um outro senhor a quem por eles perguntámos o ir chamar. Com uma memória aparentemente bem melhor do que a minha, recebeu-me como se apenas alguns meses tivessem passado desde que nos encontrámos pela última vez. Aquele estado emocional a que pode chegar-se quando se encontram a alegre expectativa, o bem-querer e outros bons sentimentos, apoderou-se de mim e, sendo mais forte do que eu, fez-me ceder à emoção. Enquanto éramos conduzidos até à sala de um andar superior onde se encontrava o Zé, viu-se a amável Irmã que nos acompanhava na necessidade de me dizer que o visitado não devia ver-me assim, e eu, tentei explicar-lhe o que nem sempre é explicável…

Esforçando-me por me recompor, a boa Irmã, da Congregação das Irmãzinhas dos Anciãos Desamparados, lá nos apresentou, não tendo o visitado necessidade de se esforçar para saber de quem se tratava. Com que devoção eu estive aqueles momentos junto do Zé, falando-lhe mais com a alma do que de outra forma. Ele estava tão lindo!... Os seus lindos olhos azuis, pareceram-me muito mais bonitos naquele momento, não sei se pela forma como eu os via, se por tudo o que eles diziam da própria pessoa e daquelas que tão carinhosamente dela cuidavam. Quando chegámos, encontrámo-lo um pouco agitado e, quiçá pela visita, as suas tremuras começaram a aumentar. Breves minutos depois, até a gentil freira se mostrou admirada por tão súbita serenidade que o invadiu, e passou a estar como se nada tivesse.

No final, mais do que pelo simples gosto de visitar a belíssima capela da casa, lá tive de me recolher uns momentos em agradecimento a Deus pelo bem-estar daqueles irmãos e pela paz tão merecida de que agora gozavam em sua velhice.

Passaram exactamente três anos* desde que Deus libertou o Zé das muitas dificuldades que viveu nesta vida e das suas limitações terrenas. Possa ele agora ser benigno para quantos com ele privaram, depois de durante tantos anos a palavra “benigno” lhe ser associada ao nome como se de apelido se tratasse.

Quem sabe se um dia numa Primavera, lá para os Salgueirinhos, Lama-susana, Carvalhas ou “Abelãeras”, por onde o Zé há muitos anos andou com seus bois, algum gaio, cuco ou milhafre, não virão falar-me dele… Até lá, em terra lavrada por onde passe, pegadas de lobo poderei encontrar, levando-me em pensamento para tão saudosos tempos… Estarei atento ao canto do mocho ao anoitecer, que em seus lamentos parece continuar à procura, chamando, chamando, por algum dos bois que fugia ao Zé…

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* Tinha acabado o texto, e nele dizia (no penúltimo parágrafo) que, havia cerca de dois anos desde a sua partida, mas, umas duas horas depois, consegui saber que a partida se fez no dia 20-10-2005. Será concidência? Hoje, é precisamente dia 20 de Outubro...

domingo, 7 de setembro de 2008

Registo de alguns momentos em comunidade

- QUANDO O GESTO DIZ MAIS DO QUE AS PALAVRAS.
No passado dia 4 de Setembro, fez três anos que o actual pároco da minha paróquia assumiu esse cargo ou missão. No dia anterior fora-me comunicada a surpresa que lhe estava a ser preparada. De bom grado aderi à iniciativa e, no dia, com a colaboração dos colegas de trabalho, foi-me possível sair uns minutos mais cedo, conseguindo assim chegar à Missa, mal tinha começado. Os jovens, inexcedivelmente voluntariosos, mobilizaram-se para assegurarem a parte do canto.

Na homilia, o jovem pároco lembrou as palavras que escolhera para a sua “Missa Nova”, por sinal, as do evangelho deste dia, aquelas que Pedro dirigira a Jesus depois de ter participado na pesca milagrosa: «Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador» (Lc 5, 8b), para também ele se declarar um homem pecador, que precisa dos paroquianos, do seu testemunho e da sua oração, reiterando o que já algumas vezes dissera: «Façam de mim padre, e eu farei de vós santos»!

Certo de que o Senhor me perdoará por esta confissão, ainda que muito tenha apreciado as palavras do ministro sagrado, para mim o momento mais alto da Missa aconteceu quando afinal esta já tinha terminado. Mal o sacerdote acabara de sair do presbitério, foi-lhe apresentada a primeira surpresa: o Miguel, um menino de uns 5 a 6 anos, apressando-se a ir ter com o homenageado, ajoelhou diante dele e, erguendo os bracinhos, ofereceu-lhe um lindo ramo de flores, com o seu rostinho a brilhar, quiçá por via da luz que erradia daqueles olhinhos tão vivos que parece conterem em si o reflexo das estrelas.

Aquela natural, simples e tão bela imagem do sacerdote inclinando-se para receber as flores das mãos da criança que se ajoelhara para lhas oferecer, causou em mim uma tal impressão que tive de me esforçar para conter as lágrimas, enquanto ia esfregando os braços por ter ficado todo arrepiado. Era eu o primeiro beneficiário daquilo que dissera no dia anterior a alguns paroquianos, ao lhe endereçar por e-mail um texto com as seguintes palavras: «...em muitas situações, as palavras não são propriamente necessárias; quantas vezes um pequeno gesto é bem mais eloquente.» E de que maneira, devo dizer, neste caso!

- QUÃO PRECIPITADOS PODEMOS SER A FAZER JUÍZOS...
A segunda parte da surpresa foi o terem preparado um repasto à volta do qual houve um alegre e são convívio. Também aqui devo confessar o seguinte: se a questão tivesse ficado pelo início, também eu ficaria com uma ideia errada do padre, que disse não à proposta que outra paroquiana e eu lhe apresentámos, mas conversando mais sobre o assunto, fácil se tornou entender que o seu não era um não sábio. Mais uma vez eu tive a prova do quão tolos, precipitados, ou insensatos somos, sempre que procuramos concluir seja o que for, a partir das primeiras impressões. Por outras palavras, é o erro de construirmos ideias ou ajuizarmos sem termos matéria suficiente para tal. E mesmo assim, situações já houveram em que só dei conta do erro depois de um outro dado ter surgido...

- TÊM APENAS UMA REVISTA E UMA BOLA, JÁ MESMO VELHAS...
Conversando com outra pessoa que disse partir para a ilha do Príncipe na semana seguinte no âmbito da ajuda decorrente do protocolo de geminação entre as duas paróquias, o meu pensamento reteve-se naquilo que os olhos podiam ver, centrando mais a atenção na mesa, um exemplo simples de que nos encontrávamos num outro mundo, tão diferente daquele que é o de tantas famílias que na ilha do Príncipe ainda vão sendo ajudadas por outras da minha paróquia. Os salgados, os doces, as bebidas, enfim, que ali sobraram, traduzem o que em muitas de nossas casas acaba por se estragar, e na paróquia do Príncipe, dizia a minha interlocutora que, com a ajuda que de cá é enviada, garante-se ao menos uma refeição por dia ás crianças que nem isso teriam...

O mundo em que nós vivemos, aquele que se diz globalizado ignora não só os fossos profundos que nele já existiam, mas também aqueles que a própria globalização tem criado, sendo certo que nesse mundo contam as nações, mas também cada um de nós.

Falando de uma certa família, dizia que em sua casa, os bens mais valiosos, preservados por isso desde há anos, eram uma bola e uma revista que há anos atrás alguém lhes tinha mandado, mesmo apesar de já estarem ambas muito velhas. As crianças dessa família, como todas as outras, porque vivem num outro mundo, não imaginam a realidade de outras crianças como as nossas. Se elas soubessem que as nossa crianças e adolescentes gastam por vezes num fim-de-semana aquilo que poderia ser o sustento da sua família durante o mês, quão tristes não ficariam... uma só mochila escolar dessas marcas mais apetecidas pela garotada, dá para assegurar uma refeição diária durante um mês a uma família de três a quatro pessoas no Príncipe, onde o ordenado de um médico é de 50 euros.

Naquela ilha a carência é tal, que, há um ano ou dois atrás, no final do tempo que lá esteve a pessoa que comigo conversava, as Irmãs que gerem os "recursos" de que dispõem para os mais pobres, conseguiram proporcionar um verdadeiro banquete de despedida aos que lá se encontravam em missão. Arranjaram uma galinha a que juntaram duas cenouras e uma lata de ervilhas que tinha ido daqui, permitindo que as dez pessoas à mesa se banqueteassem com carne.

Na Ilha do Príncipe é assim com muitos filhos de Deus. E mesmo ao nosso lado, neste tempo em que as pessoas só valem enquanto números para o deus moderno que é a economia, quantos não conheceremos a quem esse deus tirano apanhou em suas impiedosas malhas? Como lá longe em África, pode mesmo na nossa rua haver alguém que não sabe que Deus zela por ele, quiçá também nem saiba que é Ele quem age através de si, caríssimo leitor.

Que Deus leve estas palavras aos corações sensíveis e suscite em todos um maior sentido de co-responsabilidade e partilha, bastando para tal que resistamos ao espírito do consumismo que domina a nossa sociedade.

José Augusto Santos

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Temos que ser pais “maus”

O texto que se segue, que me chegou por e-mail em formato power point, foi publicado (ainda segundo essa mesma apresentação) por ocasião da morte de Tarcila Gusmão e de Eduarda Dourado, ambas de 16 anos, em Maracaípe – Porto de Galinhas (Brasil). Depois de 13 dias desaparecidas, as mães revelaram desconhecer os proprietários da casa onde as filhas tinham ido curtir o fim-de-semana. A tragédia abalou a opinião pública e o crime permanece sem resposta (à data da publicação no Brasil).

O professor de Ética e Cidadania da escola Objectivo/Americana, Sr. Roberto Candelori, aproveitou este texto para dá-lo a todos os alunos da sala de aula, para que o entregassem a seus pais. A única condição solicitada pelo professor foi de que cada aluno ficasse ao lado dos pais até que terminassem a leitura.


MÃES MÁS
(Dr. Carlos Hecktheuer, médico psiquiatra)

«Um dia quando os meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e mães, eu hei de dizer-lhes:

- Eu amei-vos o suficiente para ter perguntado aonde vão, com quem vão e a que horas regressarão.

- Eu amei-vos o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que voçês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.

- Eu amei-vos o suficiente para vos fazer pagar os rebuçados que tiraram do supermercado ou revistas do jornaleiro, e vos fazer dizer ao dono: “Nós tirámos isto ontem e queríamos pagar”.

- Eu amei-vos o suficiente para ter ficado em pé, junto de voçês, duas horas, enquanto limpavam o vosso quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos.

- Eu amei-vos o suficiente para vos deixar ver além do amor que eu sentia por vocês, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos.
- Eu amei-vos o suficiente para vos deixar assumir a responsabilidade das vossas acções, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.

- Mais do que tudo, eu amei-vos o suficiente para para vos dizer NÃO, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso (e em alguns momentos até odiaram).

Estas eram as mais difíceis batalhas de todas. Estou contente, venci… Porque no final vocês venceram também! E qualquer dia, quando os meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e mães; quando eles lhes perguntarem se a sua mãe era má, os meus filhos vão-lhes dizer:
“Sim, a nossa mãe era má. Era a mãe mis má do mundo… As outras crianças comiam doces no café e nós só tínhamos que comer cereais, ovos, torradas. As outras crianças bebiam refrigerantes e comiam batatas fritas e sorvetes ao almoço e nós tínhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas.

Tinha que saber quem eram os nossos amigos e o que nós fazíamos com eles.

Insistia que lhe disséssemos com quem íamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos.

Ela insistia sempre connosco para que lhe disséssemos sempre a verdade e apenas a verdade.

E quando éramos adolescentes, ela conseguia até ler os nossos pensamentos. A nossa vida era mesmo chata!

Ela não deixava os nossos amigos tocarem a buzina para que saíssemos; tinham que subir, bater à porta, para ela os conhecer.

Enquanto todos podiam voltar tarde da noite com 12 anos, tivemos que esperar pelo menos pelos 16 para chegar um pouco mais tarde, e aquela chata levantava-se para saber se a festa foi boa (só para ver como estávamos ao voltar).

Por causa da nossa mãe, nós perdemos imensas experiências na adolescência.

- Nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubo, em actos de vandalismo, em violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime.

FOI TUDO POR CAUSA DELA!

Agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos a fazer o melhor para sermos “PAIS MAUS”, como a minha mãe foi. EU ACHO QUE ESTE É UM DOS MALES DO MUNDO DE HOJE: NÃO HÁ SUFICIENTES MÃES MÁS!

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Correram cartomantes, videntes e outros bruxos. Por fim o caso ficou resolvido.

Os pais de um meu colega, ao fim de quarenta e tal anos de casados separaram-se; ou melhor, a mãe teve que sair de casa porque o pai ameaçava matá-la, obrigando a que tal saída se fizesse com a roupa que tinha no corpo, nem lhe permitindo que lá voltasse, tendo para tal mudado a fechadura.

Aos filhos, dizia o pai, ai daquele que se metesse, pois a vítima dessa intromissão seria em primeiro lugar a mãe. Porque os planos eram definitivos, ao fim de algum tempo mudou de casa e de terra, para na nova casa acolher outra mulher, muito mais nova.

As coisas boas da vida, são insípidas para aquele que vive com o coração acabrunhado, constrangido por algum sofrimento. Era a falta da necessária paz ou tranquilidade que não permitia ao Rui aproveitar o momento, quando jantávamos na estalagem do castelo de Palmela.

Procurando não ferir as regras da boa educação, apressei a minha saída da mesa para ir ter com o Rui, receoso de que algo se estivesse a passar com ele. De facto, a razão pela qual ele saíra antes de poder dar-se o jantar como findo, não foi para desfrutar do aprazível lugar numa agradável noite de verão, mas por estar demasiadamente inquieto por algo que eu ainda desconhecia.

Foi então que, já irremediavelmente convencido de que tinha sido chamado a carregar com a triste sorte, o meu colega me expôs as razões da sua amargura.

Perante o seu sofrimento e tão manifesta impotência para restabelecer a normalidade, surge em mim, veloz, a certeza de que poderia ser reparável a situação apresentada.

Ocorreu-me pedir-lhe uma fotografia dos pais, certo de que com isso obteria melhores resultados junto daqueles a quem ia pedir que se juntassem a esta causa. Numa atitude própria de quem, em desespero, aceita toda e qualquer oferta, respondeu-me que já tinham tentado várias “pessoas entendidas” em vários pontos do país, sem êxito, mas que não lhe custava nada trazer a fotografia no dia seguinte e que, se conseguisse, me pagariam entre ele e os irmãos o que fosse necessário.

Para lhe devolver uma réstia da esperança que tinha perdido, disse-lhe que, não obstante as coisas já se encontrarem no ponto em que estavam, a reconciliação ainda era possível, sem no entanto lhe dizer o que ia fazer.

No dia seguinte, aquele pobre filho entregou-me a fotografia pedida, desconhecendo por completo se eu era mais um crente ou praticante das artes esotéricas (soa mais fino dizer deste modo do que dizer bruxarias).

Quando regressava a casa no final de um dia de trabalho, o meu pensamento era ocupado com o que via ser o sofrimento do meu colega, com tudo o que imaginava poder estar a viver sua mãe e, ao mesmo tempo, com aquela rotura matrimonial que as forças do mal conseguiram. Estava assim profundamente absorvido em tais pensamentos quando, no espaço mais interior do meu ser, se assim posso dizer, desabou uma torrente de emoção e, já com os olhos a darem sinal daquilo que estava a acontecer no meu interior, de uma forma tão estrondosa que devo ter sido ouvido em todo o Céu, gritei: Paaaai!!!

A oração que eu mesmo tenho experimentado como mais eficaz, dela dando aqui público testemunho para exortar aqueles que ainda crêem, é aquela que resulta da compaixão por quem se vê incapaz de se libertar da acção do Maligno, consciente ao mesmo tempo do quão amada por Deus continua a ser a pessoa, ainda que aos olhos do mundo seja culpada pelo mal de que sofre.

Depois de me ter dirigido a Deus Pai naquela tão peculiar forma de oração, apreensivo, olhei para as pessoas que comigo viajavam apinhadas no autocarro, e vi que ninguém estava a reparar em mim, sinal de que não houve repercussão do meu grito no espaço físico.

Estávamos no mês de Junho de 1993, e à semelhança do Mês de Maria, continuámos no meu bairro, onde germinava então a actual comunidade paroquial, a celebrar o Mês do Sagrado Coração de Jesus com a reza diária do Terço em comunidade*. No final do Terço, momento em que todos nos juntávamos às intenções particulares de cada um, mostrei aos presentes a fotografia daquele casal por quem pedi que uníssemos as nossas orações, depois de lhes ter dito o que se passava.

Alguém sugeriu que o fizéssemos todos de mãos dadas. Alguns rostos deixavam perceber alguma emoção, e a mesma pessoa que fizera a anterior sugestão, como que em resposta ao meu secreto desejo, propôs que fizéssemos todos, uma novena. Ainda esta não tinha terminado, quando, felicíssimo, o meu colega se me dirige a perguntar quanto me devia, mostrando-se ao mesmo tempo curioso em saber quais os métodos que usei, pois, se já tinham corrido tudo quanto era “gente entendida”, gasto com isso algumas somas, e nada dos resultados esperados...

Contente, respondi-lhe com um sorriso, ficando-me por aí, por entender que não era ainda o momento para ele receber a catequese do acontecimento. E quanto aos métodos, disse-lhe serem os mais simples e ao mesmo tempo os mais eficazes.

Alguns dias depois voltou ao assunto, dizendo que não conseguia entender a mudança radical que houvera no pai, que foi repentina, de um dia para o outro...

Entendendo que já seria o momento oportuno, disse-lhe então como tudo acontecera. A partir dali, também a sua vida mudou. Passou a ver os seus problemas pessoais e familiares numa perspectiva cristã, e juntamente com a esposa e a filha, passaram a fazer da missa e outros sacramentos prática habitual.

A compaixão, que está na origem de todo o impulso que toca verdadeiramente o Coração de Deus, é hoje negada e esvaziada do seu verdadeiro sentido cristão por alguns “filósofos” que abundam na própria Igreja, como se já não bastasse o mal causado por quantos estão declaradamente contra Ela, que, esses sim, vertem todos os dias do muito que sobra à sua "sabedoria".

Sirva este caso como farol para muitos que procuram a solução para os seus problemas, e os que se sentem incapazes para levarem por diante o combate que há-de erradicar o mal, procurem um piedoso sacerdote de Cristo, tapando os ouvidos a todos quantos possam indicar soluções fora d'Ele.

Que a Sua Paz desça aos corações mais atribulados dos leitores.

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* Na minha comunidade paroquial, já só se celebra o Mês de Maria, parece que Jesus ainda não tocou muitos corações...

sábado, 16 de agosto de 2008

O bem que não vemos quando só olhamos o exterior

Como num infindável número de lugares, decorria também na minha comunidade paroquial o arraial de S. João. Confraternizando com uns enquanto comia a sardinha e o caldo verde, fui depois saudando este ou aquele, estando com outros um pouco mais. Coisa muito simples, o estar um pouco com alguém, mas para mim muito importante, sempre que consigo situar-me com a pessoa fora do corriqueiro, do banal, como é a tendência de estarmos sempre a sermos comentadores sem convite das coisas que mais respeito dizem à vida particular de alguém, das questões futebolísticas, novelescas ou outras do género.

Foi assim que me dirigi à D. Cecília, pedindo-lhe para me sentar junto dela, dado que estava sozinha e com uma carinha que não era a melhor. Nos escassos minutos que com ela estive, soube que o número de operações a que já tinha sido sujeita, já ia em doze, mais quatro, portanto, do que aquelas de que eu tinha conhecimento.

Pude ainda saber que, apesar de ser pessoa muito doente, a D. Cecília, quando deveria estar muito sossegada a convalescer da última operação, ainda se empenhou, muito para além do que seria suposto serem as suas forças, em ajudar à resolução de um sério problema de ordem social e higiénico-sanitária de um casal que vive próximo. Como admiro a D. Cecília! Pessoa com uma cruz tão pesada, e consegue transporta-la sem que aqueles com quem se cruza diariamente dela se apercebam.

Passando por outra mesa, para trocar um carinhoso abraço com uma amiga sobre quem também já escrevi (aquela viúva que na juventude “fugia” à mãe para ir tratar dos leprosos), aproveitei para conhecer um senhor que com ela se encontrava, dado que o conhecimento que dele tinha era apenas o vê-lo por vezes na Missa. Foi-me então apresentado o Sr. Borges, a quem perguntei o seu nome próprio. Esta minha amiga, entre outras coisas, disse-lhe que eu era catequista, ficando eu a saber que também ele o quis ser.

Quando seus filhos eram jovens, o Sr. Álvaro, é este o seu nome próprio, fazia com que outros jovens da aldeia fossem frequentando a sua casa, procurando assim ir sendo a luz possível nos caminhos tão inseguros dos jovens. Com os filhos já maiores e chegado à idade da reforma, viu-se liberto para poder dedicar-se a algo para o qual se sentia ser chamado. Disse então ao seu pároco que gostava de ser catequista.

Ao despedir-me do Sr. Álvaro, segurando carinhosamente em minhas mãos a sua mão, quis demonstrar-lhe o enorme respeito que me merecia, e beijei aquela mão que tanto bem já fizera em sua vida e continua a fazer. O que não lhe demonstrei, foi a tristeza que tive em saber que o seu pároco o impedira de se dedicar à catequese, alegando como desculpa o facto de a igreja ser fria, não sendo por isso boa para alguém em idade de reforma.

Vinte ou trinta anos depois, vim eu a conhecer o Sr. Álvaro, aproveitando ele agora todas as oportunidades que tem para ir a casa dos mais necessitados, auxiliando aquela minha amiga nesse trabalho de tanta entrega aos pobres. Nem os seus 87 anos o impedem de tão santo apostolado. Alguns dias depois, vim a saber que, ainda agora na sua terra, dificilmente alguém o encontrará em casa, porque anda sempre em Missão.

Não é de estranhar, portanto, que nenhum dos seus cinco filhos tolere aos irmãos que tenham em sua casa o pai um dia a mais do que a cada um pertence. Uma vez que está um mês em casa de cada um, aguardo com ansiedade o mês de Novembro, mês que penso que volte a calhar ao seu filho José, para eu fazer com os meus catequizandos um encontro que irá ser, não tenho dúvidas, marcante para todos nós, ao ser dirigido por quem sempre foi, afinal, catequista sem catecismo.

Soubesse, quem tem o poder para tomar decisões, reconhecer os possíveis mananciais de riqueza existentes em quem tem muitíssima mais experiência, e tudo quanto é área de actividade humana, não pondo de parte a eclesial, mais enriquecedoramente convergiria para o bem comum, mas, infelizmente, pululam por todo o lado pessoas como o outrora pároco do Sr. Álvaro…

Na sociedade, para aqueles que chegaram à idade da reforma, parece não haver mais lugar, desperdiçando-se assim tanta riqueza. Quão estultos são aqueles que parecem ter uma fixação pelo conceito de renovação, aplicando-o à melhor de todas as "matérias-primas", o capital humano.

A velhice confere autoridade, e prestígio os cabelos brancos que levaram uma vida íntegra, assim diz o Senhor, Deus, no segundo livro dos Macabeus (Cf. 2Mac 6, 23), dizendo ainda no livro de Job que, pela longevidade se chega à sabedoria (Cf. Jb 12, 12), mas nas sociedades ditas modernas, até a Palavra de Deus se procura reciclar, ficando apenas aquilo que não incomode as consciências... e o que é ainda mais grave, é o serem os próprios ministros sagrados que só parece preocuparem-se com agradarem ao povo, preocupando-se bem menos que o seu ministério seja do agrado de Deus. Tratam apenas do exterior, e agradados com o prestígio que daí lhes pode vir, deixam de ser capazes de chegar ao interior das almas, que é afinal a primeira e última razão do seu ministério.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Como controlar o vandalismo e a criminalidade

Muitos estudos e muitos debates tem havido acerca dos comportamentos marginais que até já começam a ser preocupantes dentro das próprias escolas, sem que daí se possa ao menos vislumbrar a assunção de medidas que nos permitam um sentimento de maior confiança no futuro.

A criminalidade tem vindo a progredir numa espiral que parece não mais parar, facto sobre o qual todos estaremos de acordo, estou certo. E como é que os governos, em Portugal e noutros países, respondem? Aumentando os efetivos das forças de segurança e apetrechando-as de meios capazes de poderem fazer frente à criminalidade (é assim que os políticos pensam…), e o único resultado garantido é o aumento da carga fiscal para o contribuinte…

Quantas vezes já vimos os nossos governantes virem a público defenderem uma qualquer tese, resultante de um estudo encomendado a algum organismo ou a pessoa de gabarito? E muitos desses estudos, à custa de quantos milhares de euros gastos ao contribuinte? E quantas vezes pudemos dizer que valeu a pena o custo de tais estudos, por terem sido fundamentais para a melhor decisão, por vezes de grande interesse nacional? Quisesse algum governo aceitar as sugestões que se seguem, já que até são a custo zero, e as as coisas mudariam radicalmente.

Pensando nas doenças neurológicas, sabemos hoje como a doença de Alzheimer, sendo degenerativa, começa por afectar as capacidades cognitivas, até que leva a pessoa à perda de quase todas as faculdades. Esta, como outras doenças do género, apodera-se da pessoa como que sub-repticiamente, pouco ou nada podendo fazer-se para a evitar. Será que um fenómeno idêntico tem vindo a atacar a maioria dos nossos políticos? Se a obesidade, o sedentarismo e algum outro factor conjugado, fazem da pessoa o alvo principal de enfartes e outros males, que nome poderão ter os factores que concorrem para aquilo que faz padecer a classe política e que começa por atacar-lhes a seriedade e a visão do bem comum?

Quanto a mim, a OMS ainda não se pronunciou quanto a esta nova doença, por não haver uma profilaxia que se possa levar a cabo para a combater, ou talvez por achar que a opinião pública não está preparada para enfrentar o choque psicológico que sofreria ao vê-la declarada como tal. Também degenerativa e com efeitos devastadores nas sociedades, é bem mais perigosa do que qualquer pandemia já ocorrida. Ela já é conhecida de muitos especialistas, mesmo não estando oficialmente reconhecida. Seu nome “científico” é, Política. Seus efeitos já todos conhecemos, basta olhar para o mundo, que está de pantanas.

Talvez a coisa melhorasse se, todo aquele que está na política e desempenha cargos públicos, fosse obrigado a ter como acessores um sociólogo e um psiquiatra, que em equipa trabalhariam empenhadamente com o infectado pela doença para protegerem a sociedade de alguma forma mais virulenta da política. No actual contexto, penso que só dessa forma se criariam as necessárias condições para que pudessem vir a ser tomadas as seguintes medidas, já que esta terrível doença combate ferozmente todos os corpos ainda sãos, impedindo-os de terem um papel mais preponderante:

1- Nas escolas, começando nos quatro primeiros anos, teria que ser reposto o anterior sistema, em que passavam de ano apenas aqueles que tivessem aproveitamento para tal, e não como agora, que ficamos com a ideia de que passam todos.
a)- Relativamente à obrigatoriedade do ensino, aquele que até aos quinze anos não tivesse completado o 9º. Ano, passaria de imediato para os cursos de formação profissional, passando a ter garantidas as despesas de transporte e de alimentação.
b)- Essa fase de formação seria de três anos e só poderia ir até aos 18 anos de idade.
c)- Chegados aos 18 anos, todo o jovem que não estivesse a continuar os seus estudos e não tivesse ainda concluído a formação profissional, na mesma área ou noutra para a qual viesse a revelar maior aptidão, ingressaria no que poderia designar-se de POOPD (Programa Ocupacional Obrigatório Para os Disponíveis).
d)- O POOPD duraria até aos 21 anos de idade e estaria sob a tutela da Inspecção Geral do Trabalho. Os jovens iniciariam assim uma habituação ao trabalho, que no sector público ou privado, aufeririam do ordenado mínimo nacional, salvo nos casos em que tivessem chumbado algum ano a mais do que o permitido. Nesses casos aufeririam apenas de transporte e de alimentação até ao final do programa.
e)- Independentemente da nota que viesse a ser necessária para ingressar no curso pretendido, só entraria na universidade quem não tivesse chumbado nenhum ano desde o 9º. Caso tal acontecesse, passaria de imediato para o POOPD.
Nos comportamentos marginais, para a redução dos quais já muito contribuiriam as medidas previstas no ponto anterior, deveriam ser aplicadas as seguintes medidas dissuasoras:

2- Todo aquele que praticasse actos social ou moralmente condenáveis, como o desrespeito pelos pais, professores e autoridades, pelo meio ambiente e propriedade alheia, ficariam impedidos de tirar a carta de condução, ou mesmo licença, até aos 30 anos (idade em que começarão a ter juízo), para além da reparação dos danos causados, e impedidos de frequentarem estabelecimentos de diversão, como discotecas e afins.
a)- Nos casos mais graves, esse impedimento seria definitivo, sem prejuízo da aplicação de outras medidas punitivas.

3- Os que praticassem furto, ficariam impedidos de, no futuro, recorrerem ao crédito bancário; e de virem a ter qualquer bem em seu nome, se o furto se revestisse de circunstancias gravosas, entendendo-se como tal, aquele cujas vítimas fossem os mais frágeis, como crianças e idosos.
a)- Se o furto ou apropriação ilícita fosse praticado por pessoa com idade inferior aos 12 anos, o impedimento aplicar-se-ia só se fossem cometidos mais do que dois ilícitos.
b)- Dos 12 aos 18 anos, seria tolerado apenas um acto ilícito, deixando de haver qualquer tolerância a partir dessa idade. Tanto num como noutro caso porém, essas tolerâncias não ficariam sem uma medida correctiva.

Quanto ao flagelo da droga, proceder-se-ia da seguinte forma:

4- Todo aquele que fosse suspeito de consumo, seria detido e submetido a exames médicos.
a)- Confirmado o consumo e o tipo de substância, passariam automaticamente a serem sujeitos à “terapia”.
b)- Esta, contrariamente às que têm sido desenvolvidas, como o caso das que incluem drogas de substituição como a Metadona, passariam a ter métodos terapêuticos diferentes: em vez de Me-ta-do-na, empregar-se-ia a Me-ta-pá, Me-ta-pi-ca-re-ta, Me-ta-en-xa-da e Me-tas-cos-tas (para alombar).
c)- Esta “terapia”, para os que se drogam uma ou mais vezes por semana, teria como duração mínima dois anos, com a “medicação” a ser “tomada” seis dias por semana.
d)- Os “centros de reabilitação” seriam as obras públicas, como as estradas, as serras a reflorestar, etc.
e)- Poderiam ser tratados em outros “centros” particulares, a troco do ordenado mínimo nacional, que seria pago directamente aos lesados, e quando estes tivessem sido ressarcidos pelos danos sofridos, seria a Segurança Social a receber os mesmos valores.

5- Os traficantes, por pertencerem a “classe superior”, seriam designados de TRAFOR (Trabalhadores Forçados), com um tempo mínimo de “tratamento” de vinte anos, nunca deixando o programa antes dos 65.
a)- Até ao último dia do “tratamento”, os TRAFOR andariam sempre acorrentados.

6- Os incendiários teriam que cumprir uma pena mínima de 20 anos.
a)- Sua ocupação seria nos trabalhos de reflorestação, durante o tempo que fosse necessário para reflorestar toda a área que queimaram.
b)- Aos mandantes da acção, ou ao incendiário se actuou isoladamente, seriam queimadas as duas mãos durante um minuto, numa viva fogueira em praça pública.
c)- Esta pena, porém, só poderia ser aplicada se a pessoa tivesse património que desse para pagar todos os prejuízos.
d)- Na falta do património necessário, aplicar-se-ia a alínea a), e no final, queimar-se-lhe-ia apenas uma das mãos.

7- Os pedófilos e violadores, teriam prisão perpétua, cumprindo a pena a trabalharem seis dias por semana, sob as mais rigorosas medidas de seguraça.
a)- O cumprimento da pena seria em todo e qualquer lugar do mundo onde houvesse crianças com fome ou sem um lar condigno, que seriam os destinatários dos resultados desse trabalho.

8- Os que praticassem a corrupção, ainda que na forma passiva, perderiam tudo quanto tivessem, ficando com o equivalente ao ordenado mínimo nacional.
a)- Perderiam todo o património imobiliário, ficando apenas com o valor de uma casa que um jovem casal com rendimentos de € 1.500,00 conseguiria adquirir.
b)- Os que tivessem cargos públicos ou em instituições de algum relevo, mesmo que apenas local, nunca mais poderiam exerce-los.

Esta lei visaria acima de tudo, que os condenados trabalhassem não só para ressarcirem as vítimas dos danos sofridos, mas também para suportarem todos os custos do sistema prisional. A ser implementada, traria um bem inquantificável ao contribuinte, começando desde logo por deixar de ser necessário o grande reforço das forças de segurança, para não falar do bem incomensurável que seria o andarmos todos à vontade.

Pena é que, os infectados pelo mal acima descrito, sejam em tão grande número que abafam completamente a acção dos pouquíssimos que ainda são imunes a tão terrífica doença.

Se alguém considerar as medidas expostas como próprias de uma ditadura, então venha este género de ditadura livrar-nos da podridão da actual democracia.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

O menino e o cachorro

(Continuação do artigo “Carta de um catequista a um seu catequizando”)

Um menino, de seis ou sete anos, um dia disse a seus pais que gostava da casa para onde tinham mudado, mas que gostaria muito de ver satisfeito um seu desejo há muito manifestado, que os pais sempre adiaram derivado a morarem num apartamento. Uma vez que tinham passado a morar numa quinta, no dia seguinte, ao chegar da escola, seu pai esperava-o com uma grande surpresa: um belíssimo e ternurento cachorrinho.

Cedo se tornaram companheiros inseparáveis, de tal forma, que, o outrora cachorrinho, depois de se ter tornado um grande e belo cão, tinha memorizado todos os tempos que o seu amigo tinha que dedicar aos trabalhos, e quando ele se demorava um pouco mais, subindo com jeito a um canteiro em frente de uma janela, porque sabia que os donos lhe ralhavam, levantando-se, apoiava as grandes patas no parapeito da janela e, para não fazer grande alarido − não fossem vê-lo naquelas tropelias em cima do canteiro −, batia com uma pata no vidro da janela, chamando o amigo para irem para a brincadeira.

Quando o menino regressava da escola, mesmo estando ainda longe de casa, sua mãe era avisada da sua aproximação através das manifestações de alegria do seu maior amigo, o cão, que nessa altura procurava a dona para dessa forma a avisar e mostrar-lhe ao mesmo tempo o seu contentamento pela chegada daquele que era sempre recebido segundo mandam as regras à cão: as patas em cima, levando a que muitas das vezes os dois se rebolassem pelo chão, umas rosnadelas enquanto o ia abocanhando por onde pudesse, mas sem o magoar, terminando sempre a recepção da mesma maneira: encher o menino de beijos, que é o mesmo que dizer, deixar-lhe a cara toda lambuzada.

O tempo foi passando, e, já mais crescido, sem que houvesse qualquer razão que o justificasse, o rapaz telefonou para casa, para dizer que não o esperassem, porque ia dormir em casa de um amigo. Só não disse que essa seria apenas a primeira de muitas noites que faziam parte do plano de deixar a casa paterna, seduzido pelas ideias liberais que acolheu de quem sobre ele exercia poder de influência.

Em vão os pais se esforçaram por encontrá-lo.

Uns meses depois, decidiu passar por casa para levar umas coisas de que necessitava.

Esta experiência transformara o seu coração mais do que o que a inteligência lhe permitia perceber. Era sua convicção que, junto dos outros, da maioria, dos que “curtem cenas”, que não são “betinhos”, agora estava mais capaz para a vida. O que ele não via, era que a mudança nele operada tinha raízes mais fundas. Não se tratava simplesmente de comportamentos ou ideias assimiladas, mas do que fora sacrificado, que era a candura e o brilho do seu coração. Evoluindo desta forma, pensando que isso era crescimento, reduziu muitíssimo a capacidade de visão para dentro da sua alma. Estava por um fio a perda total dessa visão, por que é através do coração, que lhe serve de espelho, que ela se vê, e esse tal “crescimento” tornara baço o coração, onde a alma é reflectida. O brilho do coração tem outra função que funciona em sentido inverso: reflecte para a alma a Luz que vem do Alto, e é dessa forma que a maioria das almas vivem hoje aprisionadas numa angustiante escuridão, definhando a cada dia que passa, por estarem privadas da Luz.

Ao chegar ao portão da quinta, esperava ver o Niko (esse era o nome que ele mesmo tinha dado ao seu fiel amigo) a correr para ele, mas do Niko, nem sinais. Ouviu ao longe uma voz chamar o seu nome. Era seu pai que, ao vê-lo desde o alpendre onde se encontrava, ao lado da casa, correu para o abraçar, enquanto lhe ia falando da única forma que no momento conseguia: estreitando-o em seus braços bem encostado ao peito, o ritmo cardíaco mais acelerado, a respiração quase ofegante e uma torrente de lágrimas, eram a única coisa que conseguia dizer.

Seu pai, acometido de grande emoção, pô-lo ao corrente da situação de sua mãe e do Niko. Ambos têm passado mal na sua ausência. O desgosto levara a que o Niko sofresse mais os efeitos da perda do amigo. Durante muito tempo, nada nem ninguém conseguia que ele deixasse de permanecer junto do portão, esperando que o amigo chegasse a qualquer momento. Emagrecera muito, e nem todos os cuidados veterinários pareciam fazer regredir o desfecho temido. Muitas vezes viam-no os donos, quando dormia, a mexer ligeiramente as pálpebras, percebendo-se um ligeiro movimento da cabeça e como que uma tentativa de surdos latidos. Despertando, olhava em redor e, vendo que afinal a realidade era outra, entregava-se a tristes gemidos, seguindo-se-lhe uma lágrima que chamava a atenção para aqueles olhos que não pareciam mais os do Niko que, segundo o que comentavam os donos entre si, sonhava com o que tanto desejava, o amigo, e ao despertar, vendo que ele não estava, chorava, avivando com isso a dor que os donos sentiam.

Enquanto ouvia tudo isto de seu pai, caminhando vagarosamente à sombra das muitas e variadas árvores de fruto que ladeavam o caminho entre o portão da entrada e o jardim, chegaram a casa.

E porque esta história, quando a comecei com a ideia de me servir de um pensamento que me ocorreu descrevendo-o num pequeno parágrafo, já vai longa por eu mesmo ter gostado dos pensamentos que se sucediam para a sua criação, impõe-se-me que a deixe por aqui, por já ter conteúdo bastante para te permitir perceber o que pretendo dizer-te com ela. Repara que o final não está contado. Ele depende apenas e só de um dos personagens. Queres tu dar-lhe continuidade, dando-me a possibilidade de ver como ela termina?

(...) «Que o Senhor te conceda a sabedoria do coração» (Sir 45, 26a).

«O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te favoreça!» (Nm 6, 25).

Que os Anjos te protejam!

Eu, como o Niko, ficarei esperando à porta, lembrando-me do meu A…, enquanto vou auxiliando o teu Anjo da Guarda com as minhas orações.

Com o coração a verter uma lágrima, aquele que não quer deixar de ser teu catequista,»

J. A. S.

Carta de um catequista a um seu catequizando

«Querido A…:

Que a Luz que recebeste no Baptismo se avive em teu coração depois de leres estas palavras, (…).

Poderá surpreender-te o facto de o teu catequista se dirigir a ti desta forma, quando se trata de alguém que acabaste de conhecer, com quem estiveste apenas durante seis horas − contabilizadas as tuas presenças nos encontros de catequese até ao momento. Mas passo já a explicar-te:

Eu não sou mais do que o simples portador de uma mensagem que não é minha, que te é dirigida, e se não fosse por meu intermédio, poderia até dizer-se expressa e directamente da vontade de Deus.

Eu sei que esta é uma linguagem que pode soar de forma estranha ao teu entendimento, mas como poderá Jesus, como poderão Deus Pai e o Espírito Santo vir a estabelecer contigo uma relação de amizade, capaz de te levar ao desejo das coisas do Alto e ao entendimento de tudo o que fica vedado a todos os que não criam intimidade com Deus, se neste momento estás disposto a deixar a catequese?

Meu querido A… Asseguro-te, baseando-me também em todas as coisas que já vivi, que, todo o sucesso, toda a realização pessoal, tal como hoje nos são apresentados, não passam de enormíssimas falsidades que, em vez de felicidade, quase sempre conduzem a pessoa a um sentimento de vazio, que por sua vez gera frustração. E quando há frustração, há revolta e por aí adiante. (…)

Repara bem, A…, que esse tal vazio, é hoje um fenómeno que atinge as pessoas de todas as camadas sociais, tanto ao pobre como ao rico. Não vemos nós, muitos casos de rapazes e de raparigas, de homens e de mulheres, que, aspirando ao casamento com a pessoa dos seus sonhos, a um bom emprego, a um estatuto social, a altos cargos, a riqueza, a ter filhos, depois de terem conseguido tudo isso ou até mais, passarem a frequentar as salas dos tribunais, os consultórios dos psicólogos e dos psiquiatras e a terem muitos outros problemas?

Por que será A…? Por que será que as pessoas são hoje indiferentes a tudo, inclinando-se assim para o egoísmo, e na questão dos sentimentos parecem distantes, frias, sendo esse o meio para que se tornem ásperas, agressivas nos modos, como se vê em tantos com quem convivemos diariamente e até em muitos que todos os dias vemos nas televisões? Apenas por uma razão fundamental: por estarem privadas dos benefícios que a actividade dos Dons do Espírito Santo em si lhes proporcionaria.

(...) Como já compreenderás neste momento, não é Deus quem priva alguém dos Seus dons, das Suas riquezas. É a pessoa que, ao escolher determinados caminhos, tomando determinadas opções, é ela mesma que se auto-exclui da Herança desse tesouro que é de uma grandeza, de um valor e de uma beleza que o entendimento humano não consegue abarcar, que é o regressarmos ao lugar onde a nossa alma já esteve quando foi criada pelo Pai, à alegria de passarmos a viver em definitivo junto de Deus.

Esse é o estado de felicidade plena, que só no Céu pode alcançar-se. No entanto, para se atingir Deus dessa forma, torna-se necessário e imprescindível que com Ele vivamos nesta vida, recolhidos sob o Seu tecto, que é a Santa Igreja, a única casa onde se encontra o alimento necessário para um crescimento saudável, forte e feliz.

Está bem, mas eu ainda tenho 13 anos, e acho que com isto tudo o catequista me está a falar de coisas que até nem fazem propriamente parte das preocupações da minha idade, pensarás tu. Se assim pensares, que acredito que seja o mais natural, caso contrário não me tinhas comunicado que ias deixar a catequese, estás a ser invadido pelos pensamentos mais insensatos, sempre responsáveis pelas erradas decisões.

(…) Que mais te posso dizer, meu A…?

Embora o texto já vá longo, permite-me partilhar um momento muito particular: ao acabar de escrever a frase anterior, relendo o que escrevi, os olhos ficaram-me molhados pelas lágrimas, pois, sendo o pensamento muito veloz, detive-me neste ponto: “meu A…”. E pensei: estou a dizer “meu A…” e ele já a ir-se embora… Não, vou corrigir esta parte, porque estive muito pouco tempo com ele para poder tratá-lo assim, e também não faz sentido eu dizer “meu” a alguém que já não é… E eis que de repente apercebo-me de uma coisa estranha: estou a chorar… É então que me sobreveio outro pensamento: quem escreveu fui eu, mas o autor foi Jesus, e se assim é, Ele tem toda a legitimidade para dizer: meu A… E quanto ao resto, dado que em minhas orações o que eu mais Lhe peço é que me faça Seu instrumento, utilizou-me para assim te falar, ao ponto de não excluir a minha sensibilidade, que procuro que seja o mais ajustada possível à d’Ele, (...).

E agora sim, para terminar, uma história:»

(Continua)

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Água benta não!

Aconteceu há uns anos atrás. Poucos minutos faltavam para começar a Missa e, ao fundo da igreja, que era na verdade um espaço provisório até que fosse construída a igreja que hoje existe, junto à porta de entrada, chamou-me a atenção uma jovem senhora, não por ser desconhecida, pois nunca por ali a vira, mas por alguma outra razão.

Já não me recordo do que lhe disse quando me dirigi a ela, mas terá sido algo relacionado com o acolhimento que lhe quis prestar.

Momentos depois, porque eu tinha ido a outras salas, creio que, à procura de alguém que estava escalado para as leituras daquele Domingo, vejo-a no espaço que fazia de antecâmara a essas outras salas, ficando eu com a ideia de que talvez me tenha seguido, por eu ser a pessoa que lhe dera atenção e quiçá por ser isso mesmo que ela buscava.

Mal eu parei junto dela, sem que lhe tocasse, porque anteriormente tinha-o feito, cai no chão, como se tivesse desmaiado. Dois outros membros da comunidade foram solícitos a acudir, para ajudá-la a recompor-se.

Rápido nos apercebemos, porém, de que não se tratava de uma questão qualquer de saúde. A pobre começa a agitar-se e a emitir sons como um animal enraivecido, mas num timbre de voz que não era o seu, era mais grave.

Ali estávamos três, de entre os vários membros da comunidade empenhados nos vários serviços da paróquia, desde os litúrgicos à pastoral, mas que éramos acima de tudo três homens de oração. Talvez por isso tenha havido da parte de cada um uma resposta natural ao quadro que se nos apresentou, sem que aquilo nos espantasse, nem mesmo causasse uma grande admiração.

Começámos a rezar. Inicialmente, eu fiz oração mental, e sem conhecimentos ou preparação para tal, com alguma ingenuidade à mistura, sustentando-me apenas na fé da Igreja, ousei acreditar que podia ordenar ao mal que cessasse, em vez de fazer a oração de petição ou súplica ao Pai. Enquanto isso, e porque naquele pequeno grupo de três havia dois ligados ao Renovamento Carismático, um destes disse ao outro para rezarem em línguas, o que fizeram enquanto o terceiro evocava o poder de Cristo sobre o mal e a Sua vitória pela Cruz.

Creio que foi nessa altura que a criatura começou a rir-se e a fazer troça da cruz, não obstante o facto de já estar a ser empunhado diante dela um crucifixo. Foi nesse momento que, aquilo que até ali para mim era uma suspeita passou a certeza. Foi-me dado ver claramente quem tinha diante de mim, quando a criatura, com um orgulhoso tom de vitória, afirma alto e em bom som:

− O mundo é meu!... Quem Te crucificou fui eu! Eu, crucifiquei-Te! Eu domino o mundo! (1)

Iluminado pelo Espírito Santo ou por que visse que era tarefa demasiada para nós, um dos três pediu que trouxessem água benta, enquanto assistíamos àquela gabarolice. E quando estava para lhe ser administrada, sem que tivesse abrandado o empenhamento de cada um, o “discurso” foi interrompido pelas seguintes palavras:

− Isso não, água benta não!... Isso arde!..

E por desconforto, rejeição ou mesmo dor, quando recebeu a água benta, com um «aaah!…», contorcendo-se, deu por terminada a sua “apresentação”.

O que se seguiu foi para mim um momento comovedor. A pobre mulher, com voz suave e suplicante, começou a rezar o Credo, vindo a levantar-se como se nada tivesse acontecido, a não ser um aparente cansaço.

Procurei mais tarde saber desta filha de Deus, por me inquietar com o seu sofrimento. Soube que morava para os lados da pessoa que me disse conhecê-la, vindo depois a perguntar por ela aos vizinhos do prédio onde morava, que me disseram já não estar ali, que tinha sido internada no Hospital Júlio de Matos. Obviamente que não lhes disse nada sobre os motivos por que a procurava, dada tamanha incompreensão que hoje existe sobre a área da demonologia, para a qual muito contribui o modernismo (2) que se instalou na Igreja de Cristo e que chega mesmo a negar a existência do diabo, incorrendo em heresia quem tal coisa defende, ao negar um dos quarenta e três Dogmas (3) da Igreja.

Na minha paróquia, na altura, havia água benta para uso dos fiéis. A partir do momento que foi inaugurada a igreja, como parece acontecer em todas as igrejas mais recentes e até nas antigas mas com padres modernos (pese embora alguns já tenham mais do que idade para terem juízo), a água benta já não se encontra…

Depois do que acabo de expor, pergunto aos senhores bispos e aos senhores padres:

Quem é que se revela mais interessado em que não haja água benta nas igrejas? Porque não reparais então o mal, diminuindo assim o sofrimento de Nosso Senhor, que vos vê impedir os seus filhos de acederem a este sacramental e seus benefícios?

Vós, pregadores da Palavra, atendei ao pedido cada vez mais actual de S. Pio X, que, na sua ENCÍCLICA PASCENDI DOMINICI GREGIS sobre as Doutrinas Modernistas, aí vigorosamente condenadas, a todos diz: «Queira Deus secundar os Nossos desígnios, e auxiliarem-nos todos quantos têm verdadeiro amor à Igreja de Jesus Cristo».

Queira pois, algum de vós, curadores de almas, deixar-se mover pela compaixão em favor desta filha de Deus. Fico à espera de algum contacto, para o endereço indicado ao início da página.

_________________ 
(1) A ordem das frases pode não ter sido exactamente a mesma.
(2) Para algum leitor menos esclarecido, Dogma é uma verdade declarada como tal pelo Sagrado Magistério da Igreja, depois de muito estudo, debate e oração sobre matéria até então controversa. Pode dizer-se, por isso, que é uma verdade revelada por Deus, como tal, o Dogma é imutável e definitivo (não pode ser revogado).
(3) Corrente teológica/filosófica condenada pela Igreja, que actua bem dentro do seu seio.